Declaração de Macron foi oportunista, diz ministra da Agricultura

Para Tereza Cristina, acordo deixou alguns países preocupados pela pujança do agronegócio brasileiro

Arthur Cagliari
São Paulo

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, disse nesta segunda-feira (26) que a declaração do presidente da França, Emmanuel Macron, sobre as queimadas na Amazônia foi oportunista.

"Foi oportunista. Foi um problema interno do Brasil, que prejudica a imagem do país, que já não anda muito bem. Só que o bom senso prevaleceu na reunião do G7", disse a ministra durante evento na Câmara Árabe-Brasileira, em São Paulo.

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina - Adriano Machado-3.jul.2019/Reuters

O acordo fechado entre Mercosul e União Europeia assustou alguns países, o que os têm levado a reagir contra os produtos brasileiros, afirmou Tereza Cristina.

"As relações comerciais com a Europa depois da assinatura do acordo deixou com certeza alguns países preocupados pela pujança do nosso agronegócio e pelo mercado que nós podemos tirar, principalmente a Irlanda", afirmou a ministra.

E acrescentou: "Não é de hoje que os produtores rurais da França vêm se insurgindo contra os produtos brasileiros, querendo denegri-los por um problema de comércio".

Durante o evento, a ministra disse ainda que a imprensa brasileira vem cometendo um crime de lesa-pátria ao alardear as queimadas que, segundo ela, ocorrem todo ano.

"A histeria que existe hoje na imprensa brasileira, em falar mal do Brasil. Acho que isso é um crime lesa-pátria", disse.

"Que país não tem problema no meio ambiente? Quanto mais no Brasil, com essa Amazônia gigantesca. Daria para colocar 48 países da Europa dentro dela. Como se nós pudéssemos ter o controle absoluto."

Na mesma rua, mas em outro evento, Tereza Cristina foi questionada sobre essa histeria da imprensa brasileira. Nesse momento, porém, a ministra recuou dizendo que as publicações ocorreram principalmente fora do Brasil.

"Eu disse fotografias e algumas matérias que foram veiculadas principalmente fora do Brasil, em que se fala que o Brasil está em chamas. Todos nós sabemos que essa é uma época seca, e as queimadas ocorrem há muitos anos" afirmou em evento com a delegação japonesa na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

"Esse ano tem uma excepcionalidade porque a Bolívia também tem uma área enorme que está sofrendo essas queimadas. Isso tudo juntou, e fizeram um alarde enorme como se fosse a primeira vez que nós tivéssemos uma queimada muito maior do que no passado."​

Ao ser questionada sobre o aumento de queimadas no "dia de fogo", um suposto movimento de fazendeiros no sudoeste do Pará, a ministra afirmou não ter como afirmar se são ou não produtores rurais os responsáveis pelos incêndios e que isso é responsabilidade da Polícia Federal.

"Quem fez mal feito tem que pagar, seja lá o que for. Parece que existe esse indício, mas tem de ser apurado e, quando for, as responsabilidades serão colocadas a quem couber."

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