Ibovespa perde os 100 mil pontos pela 1ª vez desde que atingiu a marca histórica

Dólar recua 1,26% e vai para R$ 3,99

Júlia Moura
São Paulo

A aversão global a risco, com temores de uma nova recessão econômica, levou o Ibovespa a perder o patamar de 100 mil pontos. A marca histórica foi conquistada em 19 de junho, na esteira do otimismo com a aprovação da reforma da Previdência.

Nesta quinta-feira (15), o Ibovespa teve outra sessão de perdas e caiu 1,2%, a 99.056 pontos, menor patamar desde 17 de junho. O volume negociado foi de R$ 21 bilhões e superou novamente a média diária para o ano.

Já o dólar, depois de superar os R$ 4 na véspera, cedeu 1,26% frente ao real nesta quinta-feira (15) e foi para R$ 3,99 com a interferência do Banco Central (BC). 

Pela primeira vez desde a crise de 2009, a instituição irá vender dólares à vista para controlar a alta da moeda americana. Também serão oferecidos contratos de swap cambial. O BC decidiu conter o câmbio com a disparada de quase 2% da quarta (14), em que o dólar chegou a R$ 4,04. ​

Apesar da ação ter início apenas na próxima quarta (21), o anúncio da medida foi o suficiente para travar a trajetória de alta. Dentre uma cesta de moedas emergentes, o real foi a segunda que mais se recuperou, atrás do peso argentino. 

Após sofrer uma depreciação de 30% entre segunda (12) e quarta (14), o peso se valorizou frente ao dólar neste pregão. A moeda americana foi para 57,25 pesos, uma queda de 4,7% em relação à véspera, quando um dólar chegou a 60 pesos.

O temor de uma nova recessão, com a desaceleração das economias chinesa e alemã, leva investidores a migrarem de ativos de risco, como as ações em bolsa, especialmente de emergentes, para a renda fixa, dólar e ouro. 

A falta de segurança na economia se reflete também na queda do rendimento dos contratos do tesouro americano de longo prazo. Os juros do títulos do governo dos Estados Unidos de 30 anos caíram para o menor patamar da história nesta quinta e foram para 1,96% ao ano.

Se comparado à inflação americana, que gira em torno de 1,8%, não há ganho real no investimento. O cenário é ainda pior pelo fato de que título de dois anos tem um retorno apenas um pouco menor, de 1,49% ao ano, e se assemelha ao de 10 anos, cujos juros foram para 1,52%.

A queda do rendimento do tesouro americano pressionou os mercados, que já reagiam ai anúncio de retaliação da China na guerra comercial.

O ministério das finanças chinês disse nesta quinta que o país precisa adotar as contramedidas necessárias em relação às últimas tarifas dos americanas sobre US$ 300 bilhões em produtos da China.

Do lado americano, o presidente Donald Trump disse qualquer acordo precisa ser segundo os termos dos EUA e pediu que o presidente chinês, Xi Jinping, se reúna pessoalmente com os manifestantes de Hong Kong, dizendo que isso levaria ao fim das tensões que ocuparam o território por semanas.

O cenário negativo levou Bolsas europeias a fecharem em queda. Londres recuou 1% e Frankfurt, 0,7%.

Nos Estados Unidos, o crescimento do consumo americano em julho veio acima das expectativas e amenizou o cenário. As vendas do varejo cresceram 0,7% no mês, contra a estimativa de 0,3%.

Bons resultados corporativos, como do Walmart, também animaram investidores e o índice Dow Jones teve leve alta de 0,3%. S&P 500 subiu 0,25%.

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