Empresas reduzem dívida externa e pressionam dólar, diz Banco Central

Alta recente da moeda levou instituição a anunciar venda de recursos das reservas internacionais

Eduardo Cucolo
São Paulo

O movimento de empresas sediadas no Brasil de buscar dólares para quitar dívidas em moeda estrangeira está entre os fatores que contribuíram para a alta recente da moeda norte americana e levaram o BC (Banco Central) a anunciar a venda de recursos das reservas internacionais a partir desta quarta-feira (21).

A avaliação faz parte do documento no qual o diretor de Política Monetária do BC, Bruno Serra Fernandes, sugere à diretoria colegiada da instituição que use a venda de dólares das reservas à vista como instrumento mais adequado à conjuntura atual.

“A persistência de fluxos de saída do país, fugindo ao padrão sazonal, tem tido como principal explicação o movimento de substituição de financiamentos corporativos externos pela emissão de dívida no mercado local”, diz o documento do BC.

Segundo a instituição, a perda do grau de investimento pelo Brasil reduziu o volume potencial de recursos disponíveis para o país, e a regulação prudencial internacional mais restritiva fez com que o custo das linhas de crédito oferecidas por bancos no exterior ficasse mais alto. No Brasil, por outro lado, o cenário é de juros em queda e avanço do mercado de capitais.

Neste ano, até o dia 9 de agosto, a saída de recursos do país supera a entrada em US$ 2 bilhões. No mesmo período de 2018, o saldo era positivo em US$ 29 bilhões.

Os números sobre rolagem de dívidas externas apontam que, em termos líquidos, saíram do país US$ 6,2 bilhões até junho, aumento de 80,6% sobre o mesmo período do ano passado. 

A emissão de títulos de dívida de empresas de setores não financeiros no mercado nacional cresceu 34,4%.

A demanda maior por dólares também se reflete nos empréstimos feitos pelo BC com recursos das reservas, que somam mais de US$ 12 bilhões, nível historicamente alto para essa época do ano.

O diagnóstico do BC é que esse cenário deve perdurar por tempo relativamente mais prolongado, já que seus fatores não devem se reverter no curto prazo. E que o aumento dos empréstimos de dólares das reservas não é a opção mais indicada.

“A atual conjuntura sugere oferecer a alternativa de o mercado trocar alguma parcela do estoque de swaps cambiais por dólar à vista”, diz o BC no documento.

Na quarta-feira (14), a instituição anunciou que oferecerá ao mercado cerca de US$ 3,8 bilhões das reservas, em leilões realizados entre os dias 21 e 29. O BC não vendia dólares no mercado à vista desde a crise financeira internacional de 2009.

O anúncio foi feito em um momento em que a piora no cenário externo, em meio à disputa comercial EUA-China e à nova crise argentina, levara o dólar a mais de R$ 4,00.

Para o BC, a conjuntura do mercado de câmbio não está associada a fragilidades da economia brasileira.

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