Descrição de chapéu The Wall Street Journal

Facebook oferece até US$ 3 mi a veículos de mídia para publicar conteúdo

Rede social, que abocanha boa parte da receita de publicidade digital, quer lançar seção de notícias ainda neste ano

Benjamin Mullin e Sahil Patel
The Wall Street Journal

O Facebook está oferecendo aos veículos de mídia milhões de dólares pelos direitos de colocar seu conteúdo em uma seção de notícias que a empresa espera lançar ainda neste ano, segundo pessoas inteiradas do assunto.

Representantes do Facebook disseram a executivos de imprensa que estariam dispostos a pagar até US$ 3 milhões (cerca de R$ 12 milhões) por ano para licenciar títulos e prévias de artigos de veículos de notícias, disseram essas fontes.

Os canais oferecidos pelo Facebook em sua seção de notícias incluem a ABC News, da Walt Disney, a Dow Jones, matriz do jornal The Wall Street Journal, o diário The Washington Post e a agência de notícias Bloomberg.

Os planos do Facebook surgem quando a empresa enfrenta críticas crescentes por seu papel nas dificuldades da indústria de notícias, sugando grande parte da receita de publicidade que costumava ir para os jornais. Combinados, o 

Facebook e Google, da Alphabet, receberam 60% de toda a receita de publicidade digital nos Estados Unidos no ano passado, de acordo com a eMarketer.

Os acordos de licenciamento de notícias entre o Facebook e os veículos de notícias durariam três anos, disseram algumas pessoas. Não se sabe se algum canal de notícias já concordou formalmente em licenciar seu conteúdo para o Facebook.

Sede do Facebook, em Menlo Park, na Califórnia (EUA) - Elijah Nouvelage - 10.out.2018/REUTERS


Uma porta-voz do Facebook confirmou que a empresa pretendia incluir uma seção de notícias em seu aplicativo até o fim do ano, mas não deu mais detalhes.
Nesta sexta (9), a chefe de parcerias de notícias do Facebook,

Campbell Brown, mencionou o assunto em uma rede social.

"Trabalhar com a indústria de mídia para lançar a seção notícias do Facebook é nosso objetivo e foco neste ano", disse.

O Facebook propôs dar aos meios de comunicação a opção sobre como seu conteúdo aparecerá na seção de notícias, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto. 

Esses veículos teriam permissão para escolher entre hospedar suas reportagens diretamente no Facebook ou incluir títulos e pré-visualizações na seção, que remeteriam os leitores para seus próprios sites, disseram as pessoas --nesse caso, a seção de notícias seria um gerador de tráfego na web para os veículos, além de uma fonte de receita de licenciamento.

Uma pessoa próxima ao Facebook disse que ele pretende coletar feedback de organizações de notícias para ajudar a melhorar a seção.

O Google, um dos maiores rivais do Facebook, tem sido criticado por não compensar as organizações de notícias pelas manchetes e prévias de reportagens publicadas pelo mecanismo de busca. O presidente-executivo da News Corp, Rupert Murdoch, e o presidente-executivo do BuzzFeed, Jonah Peretti, pediram que o Facebook e o Google paguem às organizações que fornecem notícias de qualidade. O Google não se pronunciou. A News Corp é a empresa controladora da Dow Jones.

A seção de notícias em desenvolvimento do Facebook é separada do "Today In", parte do site da rede social que oferece aos usuários reportagens de organizações noticiosas em sua área geográfica, disse uma das pessoas.

A proposta representa um afastamento dos termos financeiros oferecidos pelo Facebook para Instant Articles, outro recurso de notícias de alto perfil na rede social. Para esse programa, o Facebook compensou os canais de notícias dividindo a receita publicitária com eles, em vez de lhes pagar antecipadamente.

O presidente-executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, abordou a possibilidade de criar a seção de notícias no início deste ano durante uma conversa com o presidente-executivo da Axel Springer, Mathias Döpfner. Durante essa conversa, Zuckerberg disse que está comprometido a apresentar "mais notícias de alta qualidade" e criar um "modelo de negócios e um ecossistema para apoiá-lo". 

O Facebook paga taxas de licenciamento por outros conteúdos. A empresa distribui pagamentos antecipados pelo direito de exibir vídeos em sua seção Facebook Watch, que abriga apresentações originais e clipes populares. Ele também já pagou antecipadamente a editores para criar conteúdo para o Facebook Live, seu recurso de vídeo ao vivo.

Alguns editores continuam céticos em relação à última tentativa do Facebook de financiar conteúdo, especialmente à luz de seu histórico de apoiar iniciativas como o Facebook Live, mas descartar os planos de financiamento quando esses produtos não decolam. 

"É pedir a um grande número de editores que nos peçam para nos comprometermos com algo que nenhum de nós faz ideia se vai funcionar", disse outra pessoa familiarizada com o assunto.

O Facebook, como outras grandes empresas de tecnologia, está sob o escrutínio dos órgãos reguladores do governo americano que realizam investigações antitruste. A Comissão Federal de Comércio está examinando se o Facebook fez aquisições como parte de um plano para evitar possíveis ameaças de concorrência.

Tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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