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Filantropa faz estreia nos livros com manual prático de combate à pobreza

Melinda Gates coleciona lições transformadoras em viagens pelas regiões mais miseráveis e também fala da vida pessoal com o marido

Los Angeles

Não é nada fácil doar bilhões de dólares se você quiser de fato fazer a diferença, diz uma das mulheres mais ricas e poderosas do mundo.

Em seu livro de estreia, “O Momento de Voar” (ed. Sextante), Melinda Gates deixa os três filhos pequenos e o conforto de sua casa num subúrbio de Seattle para viajar pelas regiões mais miseráveis e esquecidas do planeta.

Ela conversa com camponesas africanas, prostitutas indianas e parteiras indonésias, colecionando lições transformadoras sobre como combater a pobreza extrema, na qual vivem hoje cerca de 750 milhões de pessoas.

Nos intervalos, Gates leva o leitor para dar uma espiada em sua vida pessoal, primeiro como engenheira da Microsoft, depois como mãe dona de casa e finalmente como filantropa ao lado do marido, Bill Gates, com quem fundou e dirige a maior instituição de caridade privada de hoje, a Bill and Melinda Gates Foundation.

Melinda Gates durante viagem à Tanzânia - @melindafrenchgates/Instagram

O subtítulo do livro, “Como o Empoderamento Feminino Muda o Mundo”, pode afastar aqueles cansados das feministas que inundam o mercado editorial, mas Gates escreve mais um manual prático de combate à pobreza do que um manifesto. Afinal, metade da população são mulheres e, em muitas partes do globo, elas são tratadas com desprezo em sociedades quase medievais.

“Quando levantamos uma mulher, levantamos a humanidade”, escreve Gates, 55. “Não acredito que a melhor forma de melhorar o mundo seja com as mulheres ganhando mais poder que os homens. Acredito que o domínio masculino seja prejudicial à sociedade porque qualquer domínio é prejudicial [...] O objetivo é um estado de parceria.”

O livro começa com suas viagens por Maláui, Níger e Quênia, quando o primeiro grande investimento da fundação era focado em vacinas para crianças da região. Porém, nas conversas com as mães que levavam os filhos para vacinar, Gates percebeu que faltava algo fundamental: elas reclamavam da dificuldade do acesso a anticoncepcionais.

Planejamento familiar virou sua grande bandeira na fundação após aprender que contraceptivos são capazes de “salvar vidas e acabar com pobreza”, além de ser “a melhor inovação empoderadora de mulheres já criada”. 

Em 2012, ela aceitou um convite do governo britânico para copatrocinar uma conferência sobre o assunto, que levantou US$ 2 bilhões e definiu a meta de levar anticoncepcionais para 120 milhões de mulheres até o fim de 2020.

Gates fala sobre organizações que sua fundação ajuda, como grupos dedicados ao combate a casamentos arranjados de crianças e que apoiam educação de meninas e agricultura de subsistência. 

Em boa parte dos casos, Gates esbarra em sociedades patriarcais, hierarquias tradicionais e a dúvida interna: o que lhe dá o direito de tentar mudar a cultura dessas comunidades? “Participo de batalhas para mudar normas sociais quando sei que posso ajudar na mudança de uma cultura que faz um grupo ser dominante sobre outros grupos”, escreve. “Tradição sem discussão mata o progresso moral.”

Católica praticante, ela não poupa críticas a sua própria igreja e a todas as outras religiões. “Desrespeito pelas mulheres surge quando religiões são dominadas por homens.”

Entre seus diversos “aliados masculinos”, aqui ela destaca o ex-presidente Jimmy Carter. Para ele, as privações e os abusos de mulheres e meninas são o desafio mais sério e esquecido do mundo, causados pelas falsas interpretações das escrituras pelos homens.

Em casa, conta seus próprios perrengues de mulher branca privilegiada, como as dificuldades de se impor num ambiente agressivo quando entrou na Microsoft, em 1987, passagens que lembram o livro de Sheryl Sandberg, chefe de operações do Facebook, “Faça Acontecer” (ed. Companhia das Letras, 2013).

Mais curioso é quando fala das particularidades e eventuais disputas com Bill Gates, com quem se casou em 1994 e hoje é o segundo homem mais rico do mundo.

“Bill diz com frequência que sempre teve um parceiro em tudo que fez na vida. É verdade, mas nem sempre ele teve um parceiro em pé de igualdade”, diz sua mulher. 

“Ele teve de aprender. E eu tive de aprender a tomar iniciativa e ser uma parceira igual.”


HÁBITOS

A Mente do Empreendedor

Kevin D. Johnson, ed. Alto Astral, R$ 44,90, 350 págs.

Professor e empreendedor, o autor desta obra busca semelhanças no comportamento de empresários bem-sucedidos como Steve Jobs (Apple), Mark Zuckerberg (Facebook) e Bill Gates (Microsoft).

PERSUASÃO

Negocie como se Sua Vida Dependesse Disso

Chris Voss e Tahl Raz, ed. Sextante, R$ 39,90, 256 págs.

De carreira e finanças até vida afetiva e futuro dos filhos, a negociação é a interação mais importante na vida de uma pessoa, segundo os autores deste livro. Na obra eles exploram princípios para ser mais persuasivo nessa tarefa.

PROJEÇÃO

Eu, Eu Mesmo e Minha Selfie

Pedro Tourinho, Portfolio Penguin, R$ 49,90, 160 págs.

Gostando ou não, as redes sociais são plataformas de projeção. Por isso, o consultor de imagens de empresas e celebridades busca desvendar o mundo do Instagram, do Facebook e do Twitter.

IDIOMAS

Escândalos da Tradução

Lawrence Venuti, ed. Unesp, R$ 69,00, 410 págs.

Como um texto que vai ser publicado em um jornal deve ser traduzido? O que há por trás desse processo cultural? Explorando essas e outras questões, o autor expõe a carreira dos tradutores nesta obra.

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