Guerra comercial pressiona dólar e derruba Bolsas

Bolsas americanas e petróleo derretem após anúncio de novas tarifas para a China

São Paulo

O corte na Selic deu fôlego à Bolsa brasileira nesta quinta-feira (1º), que chegou a registrar alta de 2,2% durante o pregão. Mas, a declaração do presidente americano Donald Trump de impor tarifas de 10% sobre R$ 1,1 trilhão de bens importados da China derrubou o Ibovespa, que fechou em leve alta de 0,3%.

O dólar também foi pressionado pela medida e teve sua terceira alta seguida, com valorização de 0,78%, a R$ 3,848, maior patamar desde 2 de julho. Demais moedas emergentes também desvalorizaram com o anúncio de Trump, que veio por volta das 14 horas. 

Funcionários da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) observam o painel no prédio da Bolsa, centro de São Paulo (SP)
Bolsas americanas encerram em queda após declaração do presidente Donald Trump de elevar as tarifas de importação de bens chineses - Folhapress
 

Outro fator que deprecia o real em relação à moeda americana é a tendência de que a diferença entre os juros brasileiros e americano seja cada vez menor. 

Na quarta (31), o Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu a taxa básica de juros nos Brasil de 6,5% ao ano para 6% ao ano. No mesmo dia, o Fed, banco central americano, reduziu sua taxa em 0,25 ponto percentual, deixando-a na faixa de 2% a 2,25% ao ano. 

A disparidade entre os juros dos dois países nunca foi tão baixa e, segundo indícios das autoridades monetárias, deve diminuir. Em sua decisão, o Copom abriu margem para mais cortes, conforme o desempenho da atividade econômica do país e a inflação.

Já o Fed adotou um discurso de que este não seria um ciclo de cortes de juros, o que frutou as expectativas do mercado de mais uma redução em setembro.

Segundo o boletim Focus, a Selic deve terminar o ano em 5,5%. Caso o juros americanos se mantenham, a diferença entre as taxas cai para 3,25 pontos percentuais. A queda deixa investimentos, que levem em conta o juros, no Brasil menos atrativos para estrangeiros. 

Essa tendência impacta o real, que deve depreciar ainda mais frente ao dólar, diz Adriano Cantreva, sócio da Porofino Investimentos.

"Ao que tudo indica, o dólar deve seguir forte nos mercados internacionais e, por consequência, contra o real também", afirma o economista.

Outro efeito da declaração de Trump foi a queda dos preços de petróleo. Por receio à queda de produtividade da indústria e danos na economia global com a medida, a commodity despencou. O barril de WTI recuou 7%, a US$ 54,46. O barril de brent caiu 6,2%, a US$ 61,13. Menores patamares desde junho.

"A decisão de Trump pode levar a uma provável desaceleração das economias mundiais,  com dólar mais forte e menor crescimento para o Brasil", diz Cantreva.

As Bolsas americanas, que operavam em alta, inverteram sinal e fecharam em queda. Dow Jones caiu 1%, S&P 500, 0,94% e Nasdaq, 0,8%. 

No Brasil, a Bolsa chegou a zerar os ganhos do dia, mas recuperou força perto do fechamento e encerrou o pregão com leve alta de 0,3%, a 102.125 pontos. O giro financeiro foi de R$ 26 bilhões, acima da média diária para o ano com o vencimento de opções.

As ações da Petrobras, com a queda do petróleo, fecharam em queda. Os papéis preferenciais, mais negociados, cederam 1,8%, a R$ 25,62. As ações ordinárias, com direito a voto, 1,52%, a R$ 28,35. Nesta quinta, a empresa divulga seu balanço do segundo trimestre. 

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