'Nos dê um ano ou dois', diz Guedes sobre indicadores

Levantamento da Folha aponta que no primeiro semestre sob Bolsonaro, 44 indicadores pioraram e 28 melhoram

Bernardo Caram
Brasília

Após a publicação de levantamento da Folha que mostra uma piora na maior parte dos indicadores do país nos primeiros meses da gestão de Jair Bolsonaro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta segunda-feira (12) que o país precisa de uma sequência de reformas e pediu um tempo para que os efeitos sejam observados.

No domingo (11), ao ser questionado sobre o desempenho dos indicadores, Bolsonaro evitou fazer comentários e solicitou que a reportagem questionasse o ministro da Economia. “Pergunta para o Paulo Guedes”, disse na ocasião.

Nesta segunda, em discurso no STJ (Superior Tribunal de Justiça), Guedes falou sobre o desempenho da economia do país.

O ministro da Economia Paulo Guedes fala durante seminário sobre a MP da Liberdade Econômica, no STJ - Pedro Ladeira/Folhapress

“Quebraram o setor elétrico, o setor de petróleo, os fundos de pensão e agora a economia parou. E agora, em cinco, seis meses ‘o Brasil não está andando. Culpa do novo governo’. Ora, senhores. Quem governou 30 anos o Brasil, a social-democracia, que fez muitas coisas boas, dê um ano ou dois”, disse o ministro .

A compilação de quase 90 indicadores nacionais, que vão da economia ao meio ambiente, mostra que a maioria deles regrediu nos primeiros seis meses da gestão de Bolsonaro.

A Folha analisou 87 estatísticas oficiais e de estudiosos que têm números atualizados até algum ponto do primeiro semestre de 2019 e as cruzou com os dados de 2018. Desse total, 44 pioraram, 15 permaneceram estáveis e 28 apresentaram alguma melhora.

Entre os indicadores que mais apresentam deterioração estão os de educação, saúde e meio ambiente. Os dados oficiais reunidos pelo Ministério da Justiça apontam melhora nos índices de criminalidade. Na economia, há um equilíbrio.

“Dê um governo, dê uma chance de um governo de quatro anos para a liberal-democracia. […] Nós esperamos tantas vezes. Espera um pouquinho, espera quatro anos, vamos ver se melhora um pouco. Nos deem chance de trabalhar também”, completou Guedes.

O ministro afirmou que a crise estrutural no Brasil leva pessoas a deixarem o país. Segundo ele, o movimento começou com a fatia mais rica da população e depois foi se ampliando.

“Está indo todo mundo embora, o menino prefere lavar prato em Barcelona, entregar pizza em Boston do que ficar no Brasil porque não há emprego. E os senhores acham que quem está criando esse desemprego foram esses quatro, cinco, seis meses de governo. Botem a mão na consciência e reflitam um pouco se não chegou o tempo das reformas”, afirmou.

No Rio Grande do Sul

Ao visitar a gaúcha Barra do Ribeiro, Bolsonaro fez elogios ao ex-presidente Michel Temer na agenda econômica. “A economia não é uma canoa que você dá uma remada para um lado e para o outro. É um transatlântico. Devemos a não estar pior a Michel Temer, que aprovou a reforma da CLT. Em parte devemos também a Michel Temer por ele ter dado um grande passo na união do Mercosul”.

Mesmo sob chuva e com temperatura pouco superior a dez graus, um grupo de entre 30 e 40 pessoas com bandeiras do Brasil esperavam o presidente.

Pela estrada, carros passavam buzinando. Uns motoristas abriam o vidro para gritar, na maioria das vezes com manifestações favoráveis. Havia também, em menor número, as vaias e impropérios ao volante.

Bolsonaro acenava para todos e tirava fotografias. A obra envolve o trabalho de 200 militares na duplicação de 50,8 quilômetros, com dois viadutos e três pontes, e o custo é de R$ 207 milhões.

Os lotes 1 e 2 da BR-116 estão sendo duplicados desde 7 de janeiro pelo 1º Batalhão Ferroviário de Lages (SC), único de engenharia de construção no sul do Brasil. Abarca as cidades de Barra do Ribeiro, Mariana Pimentel e Sentinela do Sul.

A empreiteira que era responsável pela obra, a Constran S/A, entrou em recuperação judicial.

Colaborou Léo Gerchmann, em Barra do Ribeiro

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.