Descrição de chapéu Reforma tributária

Para reduzir carga tributária tem que diminuir despesa pública, diz Maia em SC

Presidente da Câmara também criticou ineficiência pública

Vanessa da Rocha
Florianópolis

Em evento sobre reforma tributária na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) defendeu a necessidade de cortar gastos públicos. "Para reduzir carga tributária tem que reduzir despesa pública", disse.

O corte de gastos pautou a palestra de Maia nesta sexta-feira (30), que durou cerca de 30 minutos. "De cada R$ 100, R$ 94 são de despesas obrigatórias. Vamos ter uma queda de R$ 12 bilhões em investimentos e aumento líquido das despesas na ordem de R$ 50 bilhões. Cada ano que passa sobra menos recursos para investimentos."

"O orçamento público não pode ser uma peça onde as despesas aumentam mais do que a receita. O Rio de Janeiro quebrou por causa da corrupção, mas também porque o salário dos servidores públicos foi aumentado 80% acima da inflação", afirmou.

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Plenário da Câmara dos Deputados durante votação da MP da Liberdade Econômica, sob o comando do presidente da Casa, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) - Pedro Ladeira - 13.ago.2019/Folhapress

Um dos aspectos mais criticados pelo parlamentar foi a ineficiência pública. Os gastos da própria Câmara dos Deputados, presidida por Maia, foram alvo de críticas. 

"Por que é tão cara? Por que foram aprovados aumentos. Cada servidor entra ganhando R$ 31 mil e em cinco anos já está no topo da carreira. Grande parte dos servidores é chefe de si mesmo. Sinônimo de ineficiência", disse Maia. 

Para uma plateia composta por empresários e lideranças locais, Maia defendeu que os políticos façam uma autocrítica e mostrem produtividade. "Está na hora da gente cobrar eficiência. Estou na política para isso. Se não for isso que a sociedade quer, eu prefiro voltar então para a iniciativa privada."

"Precisamos ter a coragem de dizer: esse estado do tamanho que ficou não nos representa. A política se enganou nos últimos anos, e eu fiz parte disso", disse o presidente da Câmara.

Para o parlamentar, a reforma tributária depende da correção de distorções. "Existem setores que ao longo do tempo conseguiram pagar pouco imposto. Os que pagam muito, vão ter que pagar, graças a Deus, menos. E quem paga menos, terá que pagar mais.”

Durante o evento, Maia foi questionado sobre o seu posicionamento em relação à possibilidade de criação de um imposto único semelhante a CPMF, proposta estudada pelo governo. “Às vezes me perguntam: você é a favor ou contra a CPMF? Acho que as pessoas não conhecem a história recente. Em 2007, nós lideramos juntos o fim da CPMF. Não mudei de opinião ao longo de 12 anos.”

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