Perda de produtividade torna recuperação da economia gradual, afirma economista do Santander

Segundo Ana Paula Vescovi, expectativa de alta da economia era grande, mas isso não deve ocorrer

Tássia Kastner
São Paulo

Temos uma recuperação lenta e gradual da economia, e ela é gradual pela perda de produtividade da economia durante a crise econômica, afirmou a economista-chefe do Santander, Ana Paula Vescovi.

O PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 0,4% no segundo trimestre, acima das expectativas do mercado financeiro, que esperava alta de 0,2%.

Segundo Vescovi, as reformas, como a da Previdência, estão sendo feitas desde 2016 para aumentar o potencial da economia brasileira, mas que isso também é gradual.

Segundo ela, havia uma expectativa maior de alta da economia, mas isso não deve ocorrer.

“O que a gente vê é uma recuperação muito lenta”, acrescenta.

Para ela, o agravamento da crise argentina deve ter um impacto limitado sobre o Brasil. O motivo, segundo ela, é que a economia do país vizinho já vinha fraca e o comércio entre os países se reduziu.

“Argentina já estava em uma situação frágil”, diz.

Na noite de quarta-feira (28), o país vizinho anunciou moratória de parte de sua dívida e a negociação com credores internacionais e com o FMI (Fundo Monetário Internacional).

A moratória foi decretada por reflexo da alta de quase 30% do dólar ante o peso argentino, tornando a dívida impagável.

“A Argentina tentou fazer [ajuste fiscal] com gradualismo, deu errado”, afirma Vescovi.

Ela voltou a falar da necessidade do Brasil fazer a reforma da Previdência, que tramita neste momento no Senado.

Segundo ela, estados e municípios têm déficit agregado R$ 350 bilhões a R$ 400 bilhões, acima do rombo da Previdência da União, que está em cerca de R$ 250 bilhões.

“Estados e Municípios é uma entrada fundamental, o maior ganho de adição à reforma [no Senado]”, diz a economista.

Ela afirmou ainda que mesmo com a reforma, a trajetória de dívida brasileira continua crescendo mesmo com a reforma para o pico de 82% do PIB. A partir de 2025, ela passaria a cair.

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