Petrobras evacua navio em plataforma em Campos e nega risco de naufrágio

Folha apurou que há trincas com até 33 m de comprimento; fontes não descartam possibilidade de navio afundar

Nicola Pamplona
Rio de Janeiro

A Petrobras evacuou um navio plataforma na Bacia de Campos após identificar trincas no casco da embarcação, que permitiram o vazamento de 1,2 mil litros de óleo. A empresa diz que a extensão das trincas está aumentando e que não há risco de naufrágio, embora fontes não descartem a possibilidade.

Instalado no campo de Espadarte, a 130 quilômetros da costa do Rio, o navio-plataforma Cidade do Rio de Janeiro é operado pela japonesa Modec, que foi responsável por sua construção. Está sem produzir petróleo desde julho de 2018, à espera de desativação. 

Segundo a Petrobras, 107 pessoas foram retiradas da embarcação, em processo de evacuação iniciado no sábado (24). O Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), chegou a denunciar risco de naufrágio, mas a empresa informou que a embarcação encontra-se em "equilíbrio estático".

Na noite desta segunda, a petroleira soltou uma nota informando que em um sobrevoo feito pela empresa Modec foi observada a presença de óleo no mar com volume estimado em 6,6 metros cúbicos, além do vazamento identificado.

Segundo a Petrobras, sete embarcações para recolhimento e dispersão estão atuando no local, junto de quatro embarcações de apoio e um helicóptero para sobrevoo.

A Modec informou ainda que que houve aumento na extensão das trincas, mas o navio continua em posicionamento estável.

"A possibilidade de afundamento é remota, mas não pode ser descartada", disse à Folha o coordenador do sindicato, Tezeu Bezerra. Segundo ele, o vazamento foi de óleo residual, que ainda estava em um dos tanques da embarcação.

A Folha apurou que há trincas com até 33 metros de comprimento. O navio tem cerca de 300 mil litros de óleo diesel, que poderiam provocar danos ambientais em caso de naufrágio. Segundo uma fonte, com o aumento do tamanho das trincas, os riscos são maiores do que os inicialmente previstos.

O Cidade do Rio de Janeiro é uma plataforma do tipo FPSO (sigla em inglês para unidade flutuante de produção, armazenagem e transferência de petróleo). Ela guarda a produção em seus tanques para transferi-lo a navios aliviadores, que trazem o petróleo para o continente.

Foi o segundo vazamento na mesma unidade este ano: em janeiro, após o aparecimento de manchas em praias de Arraial do Cabo, na Região dos Lagos fluminense, a Petrobras confirmou que um furo no casco da embarcação derramou 1,4 mil litros de petróleo no mar. 

Na ocasião, a estatal disse que a Modec havia tomado as providências necessárias para cessar a fonte do vazamento. Uma comissão interna foi criada para apurar as causas do acidente.

Com capacidade para extrair 100 mil barris de petróleo por dia, o navio-plataforma Cidade do Rio de Janeiro começou a operar para a Petrobras em 2007. Tem 320 metros de comprimento e 50 de largura e pode armazenar até 1,6 milhão de barris de petróleo.

A embarcação faz parte de uma lista de plataformas antigas que a Petrobras planeja desativar, uma vez que os poços em que estão assionamento, prevê a desconexão e fechamento dos poços produtores e retorno da área ao estado original.

Ao Sindipetro-NF, a Petrobras disse que uma equipe especializada será mobilizada para desancorar a embarcação e levá-la a um estaleiro. Em nota à imprensa, informou que não foram constatadas manchas de óleo no mar após o evento.

A Folha ainda não conseguiu contato com a Modec.

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