Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Petrobras lucra R$ 18,9 bi no segundo trimestre com venda de rede de gasodutos

Empresas francesa e canadense pagaram R$ 33,5 bilhões por malha de distribuição de gás no Norte e Nordeste

Diego Garcia
Rio de Janeiro

A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 18,9 bilhões no segundo trimestre de 2019, o maior de sua história —alta de 368% em relação aos R$ 4 bilhões dos três primeiros meses do ano, quando a queda na produção de petróleo e menores margens nas vendas de combustíveis afetaram os números da petroleira.

Na comparação com o segundo trimestre de 2018, a alta do lucro foi de 87%.

Os elevados percentuais de aumento nos ganhos, no entanto, devem-se principalmente ao impacto positivo no balanço da conclusão da venda da TAG —empresa que opera gasodutos do Norte e Nordeste.

Em junho, uma semana após autorização do STF (Supremo Tribunal Federal), a Petrobras anunciou a venda de 90% da TAG, subsidiária que opera as malhas de gasodutos do Norte e Nordeste, à francesa Engie e à canadense Caisse de Dépôt et Placement du Québec, por R$ 33,5 bilhões. Foi a maior operação de venda de ativos da estatal até o momento.

Companhia tem alta de lucro com venda de transportadora de gás
Companhia tem alta de lucro com venda de transportadora de gás - Bruno Rocha /Fotoarena/Folhapress

Segundo a Petrobras, o lucro líquido contábil, que exclui os chamados fatores não recorrentes, como a venda da TAG, foi de R$ 5,2 bilhões, alta de 11% sobre o primeiro trimestre e uma queda de 53% em relação ao mesmo período de 2018.

No primeiro semestre, a empresa acumulou um lucro de R$ 22,9 bilhões, aumento de 34% ante os primeiros seis meses do ano passado.

"Continuaremos nossa trajetória de geração de valor, com foco nos ativos de maior retorno, como o pré-sal, e busca incessante para redução de custos", disse em nota o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco. 

A empresa também informou que os desinvestimentos somaram US$ 15 bilhões até o fim de julho, com destaque para as transações da TAG, da BR Distribuidora.

No mês passado, a Petrobras deixou de ter participação majoritária na subsidiária de postos de combustível. 

A empresa vendeu R$ 8,6 bilhões em ações e reduziu sua fatia na distribuidora de 71,25% para 41,25% —a arrecadação pode chegar a R$ 9,6 bilhões, e a participação, cair a 37,5%, se a empresa vender um lote suplementar de papéis. O resultado dessa operação será computado no balanço do terceiro trimestre.

A Petrobras quer usar esse dinheiro para reduzir sua dívida e priorizar o pré-sal.

As vendas fazem parte dos desinvestimentos da Petrobras. A gestão Jair Bolsonaro, com Paulo Guedes à frente do Ministério da Economia, vem acelerando esse processo de venda de ativos.

A geração de caixa medida pelo Ebitda (lucro antes de impostos, juros, depreciações e amortizações) ajustado aumentou de R$ 30,1 bilhões do segundo trimestre de 2018 para R$ 32,7 bilhões no período atual, aumento de 9% 

Já a receita somou R$ 72,6 bilhões, queda de 3% em relação ao segundo trimestre de 2018 e alta de 2,4% na comparação com o primeiro trimestre.


​Petrobras/2º trimestre de 2019

Receita: R$ 72,6 bi (-3%*)
Lucro líquido: R$ 18,9 bi (+87%*)
Lucro líquido recorrente**: R$ 5,2 bi (-53%*)
Ebitda ajustado: R$ 32,7 bi (+9%*)
Dívida bruta (+10%*)

*Comparação com o 2º tri de 2019

*Exclui fatores extraordinários, como a venda da TAG

 
Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.