Risco de derrota de Macri derruba mercado argentino e contamina Brasil

Chance de mudança na política econômica do país faz peso despencar 33%

Júlia Moura
São Paulo

As primárias argentinas deste domingo (11) surpreenderam o mercado financeiro. A larga diferença entre a oposição liderada por Alberto Fernández, que tem a ex-mandatária Cristina Kirchner como vice, e o atual presidente Maurício Macri torna improvável sua reeleição em outubro. 

A chance de mudança na política econômica do país deteriora os mercados nesta segunda-feira (12). Na Argentina, o dólar tem alta de 30%, a 58,85 pesos por dólar, máxima histórica. A Bolsa do país despenca 28,3%, por volta das 12h14.

Com 58% das urnas apuradas, a dupla kirchnerista tinha 47% dos votos contra 32,6% da chapa de Macri. A tendência, segundo o órgão eleitoral, é que a diferença continue assim até o final da apuração.  

O mercado financeiro já esperava uma derrota de Macri, mas com uma diferença menor entre as chapas. A distância de cerca de 15 pontos percentuais nas primárias pode levar a eleição em primeiro turno de Fernández.

Investidores, no entanto, esperavam dois turnos, com uma reeleição de Macri.

No Brasil, importante parceiro econômico da Argentina, o mercado também opera em viés negativo com o a vitória kirchnerista. O Ibovespa recua 2%, a 101.905 pontos. O dólar sobe 1,57%, a R$ 4, maior patamar desde maio.

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