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Série de TV conta trajetória de imigrantes que criaram grandes empresas no país

Produção, que estreia no History, retrata história dos fundadores das marcas Bauducco, Nubank, Habib's, Sakura, Multilaser e Goóc

Marina Estarque
São Paulo

Um imigrante em um país novo tem um superpoder, afirma o fundador do Nubank, o colombiano David Vélez. Ao mesmo tempo que enfrenta um enorme desafio não conhece a língua e a cultura local tem uma grande oportunidade.

Ser imigrante por definição significa não pertencer, mas isso te permite ver o mundo com olhos novos, é um superpoder. O imigrante tem uma cabeça cheia de perguntas. Já a pessoa que está há décadas no país tem a cabeça cheia de respostas, e não dá para inovar assim, diz ele, cujo banco, com sede em São Paulo, alcançou valor de mercado de US$ 10 bilhões (R$ 40 bilhões).

O colombiano afirma que ter uma visão de imigrante o ajudou a empreender. Ao chegar ao Brasil, Vélez enfrentou dificuldades para abrir uma conta bancária e decidiu criar o próprio banco digital.

Levei esse conceito [do Nubank] para muitas pessoas do mercado, e todo o mundo me falava: Olha, você não conhece o Brasil, não dá para concorrer com os grandes bancos. Seis anos depois, o Nubank tem 1.800 funcionários e 12 milhões de clientes.

Família Ostrowiecki, de judeus sobreviventes do Holocausto que criaram a Multilaser
Família Ostrowiecki, de judeus sobreviventes do Holocausto que criaram a Multilaser - Divulgação

A história do colombiano é retratada em um dos seis episódios da série Brasil de Imigrantes, coprodução do History e da Elo Company que estreia na segunda-feira (19) às 20h40, no canal pago.

A série explica os fluxos imigratórios e o contexto histórico por meio da trajetória de seis famílias de imigrantes que empreenderam no Brasil: Ostrowiecki (Polônia), Thái Nghiã (Vietnã), Bauducco (Itália), Nakaya (Japão), Saraiva (Portugal) e Vélez (Colômbia). 

Cada episódio conta como eles chegaram ao país e criaram grandes empresas, como Multilaser, Goóc, Bauducco, Sakura, Habibs e Nubank. 

A série é uma forma de mostrar, em um momento de extremismos e xenofobia no mundo todo, que o imigrante não é um ladrão de empregos, ele traz riqueza para o país, diz a presidente-executiva da Elo Company, Sabrina Nudeliman Wagon.

Nas histórias das seis famílias, a capacidade do imigrante de ter um olhar novo, o superpoder mencionado por Vélez, aparece em várias ocasiões. 

Como o criador da Bauducco, Carlo Bauducco, que percebeu que não havia panetone no Brasil e abriu uma fábrica. Ou o fundador da Sakura, Suekichi Nakaya, que começou a fazer shoyu para se adaptar às diferenças culinárias. 

Episódio 1: Bauducco

Nos anos 1950, Carlo Bauducco veio ao Brasil para vender máquinas para fazer pão, mas acabou sofrendo um golpe financeiro. Apesar do revés, decidiu abrir uma doceria.

Ele queria comprar uns panetones para dar de presente, viu que não tinha e pensou: por que não começar uma fábrica?, diz Massimo Bauducco, terceira geração da família no Brasil e presidente-executivo. 

Episódio 2: Vélez

A família de David Vélez fugiu de Medellín, na Colômbia, nos anos 1990, para a Costa Rica, após o sequestro de um tio. O país vivia uma guerra civil, com cartéis do narcotráfico, Farc e grupos paramilitares. 

Vélez chega ao Brasil em 2012 e, alguns meses depois, funda o Nubank. Sou um empreendedor e durmo como um bebê: acordo a cada duas horas chorando em pânico, disse, sobre os riscos de abrir seu próprio negócio, no evento de lançamento da série.

Episódio 3: Ostrowiecki

Os avós de Alexandre Ostrowiecki, judeus da Polônia rural e sobreviventes do Holocausto, chegaram ao Brasil em 1953. 

O pai de Alexandre abriu no país a primeira empresa de reciclagem de cartuchos da América Latina, a Multilaser. Alexandre trabalhou com ele por um ano e assumiu a companhia de forma repentina.
Quando tinha 24 anos, meu pai decidiu fazer uma viagem de mergulho e desapareceu, nunca foi encontrado.

Alexandre diz que se inspira em seus avós. Eu perguntava: Vô, você começou tudo no Brasil, quebrou várias vezes. Não pensou em desistir, não teve medo?. Ele respondia: Fiquei preso seis anos em um campo de extermínio, não sabia se ia estar vivo no dia seguinte. Depois disso, quebrar empresa é um passeio no parque.

Episódio 4: Saraiva

A família Saraiva saiu de uma aldeia em Portugal nos anos 1950. No Brasil, o pai de Alberto Saraiva vendeu doces na rua até abrir uma padaria. 

Aos 20, Alberto perde o pai, vítima de um assalto, e herda o negócio. Estava no primeiro ano da faculdade de medicina. Assumi a padaria que não tinha cliente, não tinha equipamento, nada, porque ele tinha acabado de comprar.

Apesar da pouca experiência, Alberto fez a padaria dar certo e abriu vários outros negócios até criar o Habibs. 

Episódio 5: Nakaya

Suekichi Nakaya chegou ao Brasil no início do século 20, fugindo da 1ª Guerra Mundial. Com ingredientes brasileiros, ele começou a produzir shoyu e missô artesanalmente e vender para parentes e amigos. 

Em 1940, fundou a Sakura, que faz hoje 1 milhão de litros de shoyu por mês. Assim como o molho de soja, que demora seis meses para fermentar, um empreendedor precisa ter constância, resiliência e paciência, diz Renato Kenji Nakaya, filho de Suekichi e atual presidente da empresa.

Episódio 6: Thái

O vietnamita Thái Nghiã foi levado pelo regime comunista para um campo de concentração em Saigon (hoje Ho Chi Minh). Liberado nos anos 1970, fugiu só com a roupa do corpo num barco, que ficou à deriva. 

Chegou ao Brasil em 1979, aos 21, resgatado por um petroleiro da Petrobras. Eu não tinha nada, nem um livro para aprender [o português], disse. Para Thái, a vantagem do empreendedor imigrante é o instinto de sobrevivência. 

Quando ele sai forçado [do seu país], tem que dar certo. Como eu não tinha família, amigos, ninguém, tinha tempo para focar o meu negócio. 

Thái começou a fabricar bolsas em casa e vender de porta em porta. O negócio cresceu e, em 2003, ele criou a primeira sandália de pneu reciclado do Brasil, marca registrada da sua empresa, a Goóc.

Brasil de Imigrantes

  • Quando Segunda (19) às 20h40, exibição de episódio duplo especial; série em seis capítulos, sempre às segundas
  • Onde History
  • Elenco Apresentação de Maria Fernanda Cândido
  • Produção Paula Garcia; Elo Company e History
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