Trump diz que haverá negociações com a China, e Pequim pede solução de guerra comercial

Índices da China caem e iun tem mínima de 11 anos por intensificação da tensão entre Estados Unidos e China

Biarritz (França) e Pequim | Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, previu nesta segunda-feira (26) um acordo comercial com a China após gestos positivos de Pequim, acalmando os mercados globais que foram afetados por novas tarifas das duas maiores economias do mundo.

Trump disse após uma cúpula de líderes do G7 em Biarritz, França, acreditar que a China é sincera em querer chegar a um acordo, citando o que ele descreveu como aumento da pressão econômica sobre Pequim e o desemprego no país.

O vice-premiê chinês, Liu He, que tem liderado as negociações com Washington, afirmou nesta segunda-feira que a China está disposta a resolver a disputa comercial através de negociações "calmas" e se opõe à intensificação do conflito.

Trump citou os comentários de Liu como um sinal positivo, e voltou a afirmar que as autoridades chinesas entraram em contato com os representantes comerciais dos Estados Unidos e ofereceram voltar à mesa de negociações, uma alegação que a China se recusou a confirmar.

"Acho que eles querem muito fazer um acordo. Acho que essa vontade aumentou ontem. O vice-presidente da China falou, ele disse que quer ver um acordo feito", disse Trump.

"Quanto mais eles esperam, mais difícil é voltar atrás, se é que dá para voltar atrás", disse Trump em entrevista coletiva com o presidente da França, Emmanuel Macron. "Eu não acho que eles tenham escolha."

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Trump durante reunião do G7 - Nicholas Kamm / AFP

Macron disse que um acordo ajudará a dissipar as incertezas que pesam sobre os mercados globais. Ele comentou que Trump disse a outros líderes do G7 que quer fechar um acordo com a China.

Trump disse que estava mais otimista sobre as perspectivas de um acordo do que no passado recente.

O presidente dos Estados Unidos, dias depois de se referir ao presidente chinês Xi Jinping como um inimigo, elogiou o líder chinês, chamando-o de "grande líder" e "homem brilhante".

Em Pequim, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Geng Shuang, afirmou não saber de uma ligação entre os dois lados. Entretanto, o Ministério do Comércio é que normalmente divulga comunicados sobre ligações comerciais. Ele não respondeu imediatamente a pedidos de comentários.

Quando pressionado sobre se uma ligação havia ocorrido, Trump enfatizou os comentários de Liu. O secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, disse que foi feito contato entre os dois lados, mas se recusou a dizer com quem.

Hu Xijin, editor do jornal estatal chinês Global Times, tuitou: "Com base no que eu sei, os principais negociadores chineses e americanos não mantiveram conversas telefônicas nos últimos dias. Os dois lados mantêm contato em nível técnico, o que não tem a relevância que o presidente Trump sugeriu. A China não mudou de posição. A China não cederá à pressão dos EUA. "

A guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo se intensificou na sexta-feira, com ambos os lados adotando mais tarifas sobre as exportações um do outro.

Trump anunciou uma taxa adicional sobre cerca de US$ 550 bilhões de produtos chineses, horas depois de a China divulgar tarifas retaliatórias sobre US$ 75 bilhões em mercadorias dos EUA.

Liu, falando em uma conferência na China, afirmou que ninguém se beneficia de uma guerra comercial.

"Estamos dispostos a resolver a questão através de consultas e cooperação com uma atitude calma e nos opomos firmemente à intensificação da guerra comercial", disse Liu, que é o principal assessor econômico de Xi, de acordo com transcrição do governo.

A guerra comercial prejudicou o crescimento global e elevou os temores do mercado de que a economia mundial entrará em recessão.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China disse que a China retaliará se Trump aplicar as últimas tarifas sobre os EUA.

Questionado se abandonaria as tarifas, Trump disse: "Tudo é possível. Posso dizer que estamos tendo conversas muito significativas, muito mais significativas do que nunca, francamente".

Iun tem mínima de 11 anos por intensificação da guerra comercial

​O iuan recuou para a mínima de 11 anos contra o dólar nesta segunda-feira (26). As ações chinesas caíram com a intensificação da disputa comercial com os Estados Unidos, ameaçando prejudicar ainda mais as duas maiores economias do mundo.

O iuan negociado no mercado doméstico chegou a cair 0,7% nos primeiros minutos de negociação, para 7,15 por dólar, nível mais fraco desde fevereiro de 2008 e a segunda maior queda diária no mês. O iuan no exterior caiu para a mínima recorde de 7,1850.

Mas a moeda reduziu as perdas depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse n acreditar que Pequim quer fechar um acordo comercial. 

O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, caiu 1,44%, enquanto o índice de Xangai teve queda de 1,17%, com as declarações de Trump chegando às mesas pouco antes do fechamento.

A guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo se intensificou na sexta-feira, com ambos os lados adotando mais tarifas sobre as exportações um do outro.

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