Varejo se engaja em 'Black Friday brasileira' do governo para aquecer vendas

Setor intensifica ações promocionais para acelerar movimento em meses fracos e em meio a retomada aquém do esperado

Filipe Oliveira
São Paulo

O varejo decidiu apostar em grandes promoções fora de época para tentar acelerar o rítmo ainda lento das vendas do setor.

As ações começaram já em agosto e devem culminar na Semana do Brasil, evento de promoções que está sendo preparado pelo governo em parceria, principalmente, com o comércio e o segmento de turismo e vem sendo chamado de "Black Friday Brasileira". 

Como noticiou a coluna Painel S.A, as promoções devem acontecer entre 6 e 15 de setembro. Na semana passada já eram mais de 60 entidades de comércio interessadas.

O governo vem realizando reuniões com grupos de empresários para aumentar o engajamento do setor privado na ação.

Também na semana passada, empresários interessados em realizar ofertas na data e representantes do governo discutiram o tema na Associação Comercial de São Paulo.

Entre os presentes estavam membros da secretaria de Comunicação do governo federal, do ministério do Turismo e da Embratur, além dos empresários Luciano Hang (Havan) e Flávio Rocha (Riachuelo) e representantes do IDV (Instituto para o Desenvolvimento do Varejo).

Na plateia, participaram executivos do setor de bares e restaurantes, turismo e aéreo,. 

Segundo o governo, em breve será lançado um site para que entidades indiquem seu itneresse no evento e quais ações estão previstas.

Marcel Solimeo, economista da Associação Comercial, diz considerar a ação positiva, pois, combinada à injeção de dinheiro na economia resultante de saques de contas ativas e inativas do FGTS que começa no mês , pode ajudar no reaquecimento do setor.

"A expectativa é que as grandes redes de varejo participem da iniciativa. E, com isso, haverá investimento, o que deve ajudar na divulgação da data", diz.

Entre as grandes redes de varejo, o Magazine Luiza confirmou sua participação na data. Via assessoria de imprensa, afirmou que as ações estarão concentradas nas vendas das lojas físicas.

Já o GPA (dono de marcas como Pão de Açúcar e Extra) disse que mantém uma tradição de promoções ao longo de todo o ano e, por isso, participará com ofertas na ocasião também.

O Banco do Brasil também disse que fará promoções. A organização terá ações relacionadas a crédito, serviços, renegociação de dívidas e seguros.  

A Abrasce (associação de shoppings) disse que apoiará a Semana do Brasil e afirma  acredita que esse movimento é importante para o momento econômico do país e que o setor será beneficiado com a nova data do varejo. 

Segundo a associação, a iniciativa, que deverá injetar recursos na economia, está sendo estimulada entre os shoppings de todo o Brasil. 

A ação nos centros comerciais possui uma identidade visual definida e os shoppings que optarem por participar poderão escolher as ações que desejam fazer, conforme suas estratégias de negócio, afirma a entidade. 
 

Sem mencionar a iniciativa do governo, o Mercado Livre disse que fará uma semana de descontos em setembro para comemorar seus 20 anos.

A FecomércioSP (federação que reúne setores como comércio e turismo) também disse apoiar a iniciativa, em especial por ser uma oportunidade de aumentar as vendas no que é o 5º prior mês de vendas no segundo semestre.

Por outro lado, a entidade pondera que é necessário tempo para que uma nova data promocional seja incorporada aos háhbitos do consumidor e tenha efeito no setor.

Guilherme Dietze, assessor econômico da FecomercioSP, diz que, como a recuperação do varejo está aquém da esperada, cortar margens de lucro e oferecer opções de pagamento vantajosas são corretas.

"Um dos grandes problemas que o varejo tem é com o fluxo de caixa, o dinheiro do dia a dia para pagar tributos, funcionários. Esses descontos podem ativar o comércio e ajudam a empresa a ter recurso para se programar para frente, para fazer compras de Black Friday e Natal."

Mesmo antes da Semana do Brasil, varejistas já vem apostando em ações para acelerar as vendas.

O Extra registrou aumento de 20% das vendas da última quinta-feira (15) em relação a data similar no ano anterior ao lançar uma promoção para o Dia do Solteiro, celebração que, na China, é marcada por uma grande promoção.

Cristiane Cruz Citrângulo, diretora de marketing do Extra, diz acreditar que os consumidores estão se acostumando a esperar datas promocionais para consumir e buscar oportunidades. 

Como consequência, a companhia tem buscado manter um calendário de promoções durante todo o ano, afirma. "Os consumidores estão buscando muito mais a economia, as ofertas, uma boa compra para ter certeza de que gastaram o dinheiro no momento certo."

A Kalunga, do ramo de material de escritórios, realizou em agosto a semana da informática, com ofertas entre os dias 12 e 20 deste mês. 

Hoslei Pimenta, diretor comercial da empresa, disse esperar que a ação traria um aumento de 15% nas vendas em relação a uma semana comum antes do fechamento dos resultados da ação.

Mesmo assim, ele diz que o cenário econômico tem desacelerado o rítmo de crescimento. Pimenta afirma que as vendas da companhia devem crescer 12% em relação a agosto passado, enquanto no ano anterior o avanço havia sido de 17%.

"Estamos no pico de uma crise, com desemprego elevadíssimo, vivendo expectativa de recuperação que ainda está por vir", afirma.

Já o Magazine Luiza fez na última semana a promoção Black App, com descontos “com força de Black Friday”, de até 80%, segundo comunicado da companhia.

A promoção, parte da estratégia da empresa de impulsionar sua participação no meio digital, foi realizada apenas via seu aplicativo para smartphones.

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