Descrição de chapéu The Wall Street Journal

Você está sendo atacado por mensagens de texto automáticas. Eis o que fazer

Como se não bastassem telefonemas indesejados de telemarketing, agora há spam em mensagens de texto

Katherine Bindley
Nova York | The Wall Street Journal

A primeira mensagem de texto chegou antes das 7h. Outra chegou 15 minutos mais tarde. Mais uma às 11h30min. E às 12h10min. Em apenas 30 horas, eu fui qualificado para uma consulta de crédito, venci um concurso qualquer, consegui um emprego de tempo parcial com horário flexível e fui alertado sobre a existência de um apartamento de três dormitórios que poderia adquirir por US$ 429 ao mês (R$ 1.726).

Eu estava sendo atacado por mensagens de texto automáticas.

Algumas foram enviadas de números que pareciam legítimos e mencionavam nomes conhecidos, como Amazon e Walmart.

Outras mensagens pareciam, à primeira vista, vir de alguém que tivesse errado o número. ("Essa é a informação sobre a qual lhe falei na semana passada".) O que a maioria delas tinha em comum eram links muito suspeitos, que me encorajavam, por exemplo, a rastrear a entrega de um cartão de presente.

As mensagens de texto automáticas são semelhantes às chamadas de telemarketing porque os remetentes as usam para obter informações pessoais sobre o destinatário. Eu queria saber se o que estava acontecendo comigo era anômalo ou se deveria me preparar para uma epidemia de mensagens de texto indesejadas como a que enfrentamos com o telemarketing.

No ano passado, consumidores apresentaram 93.331 queixas sobre mensagens de texto indesejadas à Comissão Federal do Comércio (FTC, na sigla em inglês), ante 71.776 no ano anterior. A T-Mobile diz ter bloqueado número recorde de mensagens de texto indesejadas em julho —em média um milhão ao dia— e que viu um aumento médio de 20%, mês a mês, no número de mensagens de texto bloqueadas em 2019.

A Verizon diz que, em companhia de seus parceiros de SMS, vem bloqueando cerca de 500 milhões de mensagens de texto por mês, este ano, o dobro do volume do ano passado.

As mensagens de texto indesejadas respondem por apenas 3% do total de SMS enviados, uma proporção ainda baixa, de acordo com a CTIA, a organização setorial das empresas americanas de telefonia móvel.

A organização diz também que, porque as plataformas de mensagens de voz e de mensagens de texto têm regulamentação diferente, as operadoras podem agir de modo mais agressivo no combate às mensagens de texto indesejadas.

Mas elas também são uma mídia atraente para os maus agentes. Os consumidores nos Estados Unidos usam cada vez mais o SMS, hoje em dia, e as empresas cada vez mais recorrem a esse meio para contatar clientes, a fim de confirmar horários ou enviar informações sobre voos e códigos de verificação. Diferentemente dos telefonemas, as mensagens de texto podem conter links.

"O perigo com as mensagens de spam é que muitas delas são spam de 'phishing'", disse Ethan Garr, vice-presidente sênior da Teltech, subsidiária da IAC que desenvolveu o bloqueador de telefonemas RoboKiller.

"Parece que é uma mensagem do Bank of America. Você insere suas credenciais de conta bancária e o sistema deles tenta usá-las no site do banco".

A Verizon diz que está dedicando mais atenção ao spam em seus SMS. E a Comissão Federal de Comunicações (FCC, na sigla em inglês), recentemente eliminou uma lacuna na fiscalização e agora pode agir contra serviços de mensagem de texto que usam números falsos.

No ano passado, a FCC rejeitou uma solicitação que teria reduzido a capacidade das operadoras para bloquear esse tipo de mensagem.

Enquanto isso, mais ou menos como seu irmão mais velho maligno, o telemarketing nocivo, não existe um botão que você possa apertar para deter as mensagens de texto indesejadas. Eis o que você deve —e não deve— fazer, caso se torne alvo de mensagens de texto suspeitas.

Não clique em coisa alguma

As mensagens de texto indesejadas muitas vezes incluem links no corpo do texto ("você ganhou! Clique aqui"). Não clique! Os links podem levar a malware capaz de infectar seu celular. Ainda mais provável é que eles sejam um truque para que você revele informações pessoais delicadas.

Não respondaDiversas mensagens de texto diziam que eu podia optar por não recebê-las mais respondendo com a palavra "pare", o que parecia algo razoável a fazer. Recebo mensagens automáticas de texto do consultório do meu médico e de minha operadora de telefonia, e elas têm instruções sobre como agir para deixar de recebê-las. Você pode responder com "pare" se a mensagem veio de uma empresa conhecida e você não quer mais receber atualizações.

Mas como acontece com o telemarketing, as mensagens de texto falsas buscam seu engajamento, e isso é uma armadilha. Responder pode confirmar que seu número está ativo —e isso é valioso para os trapaceiros, que podem vender seu número a terceiros, o que só faria com que você recebesse ainda mais telefonemas e mensagens de texto de spam.  

Bloqueie o númeroEm caso de dúvida, use a função de bloqueio do seu celular, em lugar de enviar uma mensagem de "pare". Bloquear números individuais pode ser complicado, no entanto, porque as mensagens de texto suspeitas muitas vezes variam seus números de envio.

Para fazê-lo no iPhone, toque na mensagem e no número no alto da página. Aperte o botão "i", para informação, e depois toque no número. (Não toque no ícone do telefone: você não quer ligar acidentalmente para esses caras.) Depois, procure o comando de "bloquear esse número".

No Android, você pode denunciar spam e bloquear mensagens.

Considere instalar um app de bloqueio de chamadasMuitos apps de bloqueio de ligações também têm recursos para bloquear mensagens de texto. O Nomorobo, que custa US$ 1,99 (cerca de R$ 8) ao mês, faz um bom trabalho na identificação de chamadas de telemarketing, e assim evito atendê-las.

Saiba que, se você habilitar esse recurso, o app verá o conteúdo de suas mensagens de texto e informações sobre remetentes fora de sua lista de contatos. Isso pode incluir códigos de verificações e outras informações de bancos e outros serviços. O Nomorobo diz que consegue ver o número do remetente e o conteúdo da mensagem, mas-não sabe que usuário recebeu a mensagem.

"Preferimos assim", disse Aaron Foss, criador do app. "Há muita informação confidencial circulando. Eu não me sentiria confortável se soubesse a quem se refere".

O RoboKiller tem recurso semelhante. Mensagens bloqueadas não são associadas a um usuário, diz Garr.

"As mensagens jamais são compartilhadas com terceiros, e não existe intervenção ou revisão humana das mensagens."

Tradução de Paulo Migliacci

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