Descrição de chapéu The Wall Street Journal

Apple aposta em câmeras para reanimar vendas de iPhone

Trio de smartphones com recursos aprimorados para fotos deve ser apresentado

Tripp Mickle
Nova York

O iPhone da Apple deverá continuar sendo a estrela da vitrine anual da empresa nesta semana, como tem sido nos últimos 12 anos. Mas o foco se volta para um elenco mais jovem de produtos para galvanizar o crescimento da Apple. 

Na terça-feira (10), a empresa pretende revelar um trio de novos iPhones com câmeras traseiras adicionais e recursos aprimorados para fotos com pouca iluminação, segundo pessoas familiarizadas com os planos. Analistas esperam que os celulares também apresentem processadores mais rápidos, novas cores externas, como verde e roxo, e carregamento sem fio para outros dispositivos, como os fones de ouvido AirPods.

As atualizações esperadas não inspiram exatamente Wall Street, e alguns analistas e investidores preveem que os próximos iPhones serão entediantes. Com as vendas de seus antigos telefones falhando, a Apple está ampliando seu portfólio de produtos conectados, de alto preço, incluindo Apple Watch, AirPods e serviços de assinatura para programas de TV e videogames.

"Eles estão pisando na água agora, apenas tentando manter o iPhone à tona", disse Dan Morgan, gerente sênior de portfólio dedicado a tecnologia na Synovus Trust Co., que tem a Apple entre suas maiores participações. Ele está otimista porque os telefones deste ano terão novos recursos, suficientes "para colocar pernas novas num produto muito maduro e manter o trem andando".

A atitude de "apenas o suficiente" fala do desafio que a Apple enfrenta desde o lançamento de seu primeiro iPhone, em 2007. O iPhone contribui com mais da metade do total de vendas da Apple, colocando a empresa na posição incômoda de sustentar um produto principal enquanto precisa se tornar menos dependente dele

Os recentes avanços do iPhone, como a tecnologia de reconhecimento facial, não tiveram grande repercussão entre alguns clientes, que tendem a ver a Apple como menos exclusiva e aspiracional do que nos anos anteriores, de acordo com a pesquisa global anual da UBS com 8.000 consumidores de smartphones, divulgada em maio. Muitas pessoas estão mantendo seus aparelhos por mais tempo e não são estimuladas a atualizar para novos iPhones, que têm um preço médio de US$ 949.

A empresa precisa vender uma quantidade suficiente de celulares ao longo do próximo ano para evitar a repetição dos resultados decepcionantes que a perseguiram após o lançamento dos modelos XR e XS, em setembro passado. As vendas fracas desses aparelhos forçaram a empresa em janeiro a diminuir sua direção pela primeira vez em mais de 15 anos.

A previsão é que a Apple venda cerca de 70 milhões de unidades dos novos iPhones até o final do ano --quase 30% menos que o pico de 98 milhões de unidades de seus mais novos modelos em 2014, segundo a trading Susquehanna International Group.

As projeções modestas para 2019 deixaram os investidores à espera de 2020, quando a Apple deverá lançar seu primeiro iPhone com 5G, a quinta geração de redes celulares, que deverá melhorar as velocidades das conexões sem fio.

A transição da Apple do iPhone para o pós-iPhone ganhará nova energia nas próximas semanas: além de apresentar os novos smartphones nesta semana, a empresa deverá revelar uma quinta versão de seu smartwatch, que, segundo analistas, terá nova carcaça e maior vida útil da bateria, e será mais independente do iPhone, com uma App Store completa.

O novo smartwatch deve adicionar mais recursos de saúde, incluindo a capacidade de rastrear padrões de sono, dizem analistas.

A adição desses recursos aprofundaria a incursão da Apple na saúde, categoria que o CEO Tim Cook disse que redefiniria a empresa. O Apple Watch de quarta geração, lançado em 2018, foi equipado com eletrodos e sensores que o transformaram em um eletrocardiograma, capaz de medir a atividade elétrica do coração e detectar distúrbios potencialmente perigosos.

Os recursos de saúde ajudaram a Apple a aumentar suas vendas de smartwatches para 5,7 milhões no último trimestre, um aumento de 50% em relação ao ano anterior, de acordo com a Strategy Analytics. E as vendas de smartwatches ajudaram a elevar os negócios de acessórios e usáveis da Apple, incluindo AirPods, em 35%, para quase US$ 18 bilhões, nos três primeiros trimestres deste ano fiscal.

A Apple também está prestes a lançar novos serviços de assinatura de programas de TV e videogames anunciados em março. A empresa poderá anunciar preços e disponibilidade desses serviços, conhecidos como TV+ e Arcade, ainda nesta semana, dizem analistas.

A combinação de "wearables" e serviços será essencial para a Apple superar o iPhone, disse Neil Mawston, da Strategy Analytics. Segundo ele, a última gigante de telefonia móvel, Nokia, lutou quando tentou fazer uma transição semelhante com seus negócios.

Tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.