Descrição de chapéu Financial Times

BC europeu corta taxas de juros e diz a governos que ajam para reanimar economia

Maior redução em três anos, medida busca driblar desaceleração no comércio mundial

Martin Arnold
Frankfurt (Alemanha) | Financial Times

O Banco Central Europeu (BCE) anunciou seu maior pacote de cortes de taxas de juros e estímulo econômico em três anos, e seu presidente, Mario Draghi, alertou os governos da zona do euro de que eles precisam agir rapidamente para reanimar o crescimento deprimido.

O BCE cortou as taxas de juros e as conduziu ainda mais para o território negativo, e retomou seu contencioso programa de € 2,6 trilhões em compras de títulos por prazo ilimitado, no mais recente sinal de preocupação quanto à saúde da economia mundial.

Maior redução em três anos, medida busca driblar desaceleração no comércio mundial - Geoffroy Van Dwe Hasselt - 2.jul.19/AFP

O banco também relaxou os termos de empréstimo a bancos da zona do euro e lhes ofereceu taxas de juros escalonadas, em um esforço por aliviar a pressão sobre suas margens nos empréstimos.

O estímulo foi explorado imediatamente pelo presidente americano Donald Trump, que exigiu que o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, aderisse à rodada de cortes de juros por bancos centrais, na reunião de seu comitê de open market na semana que vem.

"Banco Central Europeu agindo rápido", tuitou Trump. "Eles estão tentando, com sucesso, depreciar o euro contra o dólar MUITO forte, prejudicando as exportações dos EUA... E o Fed fica lá esperando, esperando e esperando. Eles recebem pagamentos para captar dinheiro, enquanto nós pagamos juros!"

Em resposta, Draghi disse que "temos uma missão. Buscamos a estabilidade de preços. E não temos taxas de câmbio como referência. Ponto".

Ele também enfatizou que a zona do euro precisava de cortes de impostos e de mais gastos públicos a fim de evitar uma nova crise.

"Agora é hora de a política fiscal assumir a responsabilidade", disse Draghi, que concluirá seu mandato de oito anos à frente do BCE e entregará o posto a Christine Lagarde, antiga diretora executiva do Fundo Monetário Internacional (FMI), no final de outubro.

A decisão do BCE inicialmente causou queda do euro, mas isso durou pouco. Dentro de algumas horas, a moeda mostrava alta diária de 0,3% ante o dólar, cotada a US$ 1,104.

A zona do euro enfrenta "fraqueza mais prolongada" do que se imaginava anteriormente, principalmente por conta da desaceleração no comércio mundial, acrescentou Draghi. O BCE reduziu sua projeção de crescimento para a zona do euro, formada por 19 países, em 0,1%, para 1,1%, este ano, e em 0,2%, para 1,2%, em 2020.

O banco central também reduziu sua projeção para a inflação em 0,1%, para 1,2% este ano, e em 0,4%, para 1% no ano que vem. O BCE sinalizou que, portanto, as taxas de juros se manteriam mais baixas por tempo superior ao esperado previamente, e mudou sua orientação quanto a futuros movimentos dos juros. A orientação anterior era de que as taxas de juros não subiriam antes da metade de 2020.

Reinhold von Eben-Worlée, sócio diretor da Worlée, uma empresa alemã criada há 160 anos, e presidente da Associação de Empresas Familiares, criticou o BCE, dizendo que o relaxamento quantitativo havia "levado a sérias distorções e deveria ser encerrado".

"Taxas de juros negativas causaram distorções nos mercados de ativos", ele afirmou. "A bolha do mercado imobiliário e a erosão das aposentadorias são consequências diretas dos excessos na política monetária".

Andrew Kenningham, economista chefe da consultoria Capital Economics para a Europa, disse que "continua dúbio que isso faça muito por reativar a economia da zona do euro, quanto mais levar a inflação para sua metade de perto de 2% ao ano".

Tradução de Paulo Migliacci

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