Bolsa volta aos 104 mil pontos com trégua na guerra comercial e estímulos na Europa

Ibovespa vai ao maior patamar desde julho; dólar cai para R$ 4,06

Júlia Moura
São Paulo

Com trégua na guerra comercial e novos estímulos do banco central europeu (BCE), as principais Bolsas globais operaram no azul nesta quinta-feira (12). 

No Brasil, os ganhos da Bolsa foram impulsionados pela Vale, que subiu 3,6% com a alta do minério de ferro. O Ibovespa subiu 0,9%, a 104.370, maior patamar desde 18 de julho. O dólar recuou pelo terceiro pregão seguido e foi para R$ 4,06, queda de 0,12%.

Painéis com flutuações dos índices de mercado no pregão da Bolsa de Valores de São Paulo
Ibovespa sobe 9%, a 104.370 pontos com alívio externo - Diego Padgurschi /Folhapress

Segundo a Bloomberg, oficiais da Casa Branca discutem um acordo preliminar entre Estados Unidos e China, que adiaria novas tarifas americanas e retiraria algumas das taxas aplicadas. A medida estaria condicionada ao comprometimento chinês com a defesa da propriedade intelectual e compras agrícolas. 

A notícia se somou ao adiamento de novas tarifas americanas, anunciado pelo presidente Donald Trump na quarta (11).

Trump disse que, para atender o pedido do vice-presidente chinês Liu He e em um gesto de boa vontade, decidiu adiar o aumento de taxas de 25% para 30% de US$ 250 bilhões de importações chinesas. Segundo o presidente, as novas tarifas, programadas para 1º de outubro, passam a valer em 15 de outubro.

Além do alívio na tensão comercial, o novo pacote de estímulos do BCE animou investidores. O banco atendeu às expectativas do mercado e cortou a taxa básica de juros da região em 0,1 ponto percentual para -0,5%, mínima histórica e se comprometeu a comprar € 20 bilhões em títulos de dívida por mês, por tempo indeterminado.

O banco também relaxou os termos de empréstimo a bancos da zona do euro e lhes ofereceu taxas de juros escalonadas, em um esforço por aliviar a pressão sobre suas margens nos empréstimos.

O estímulo foi explorado imediatamente pelo presidente americano Donald Trump, que exigiu que o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, aderisse à rodada de cortes de juros por bancos centrais, na reunião de seu comitê na próxima quarta (18).

O cenário positivo levou os índices da Bolsa de Nova York a se aproximarem de suas máximas históricas, apesar de altas não tão expressivas. Dow Jones subiu 0,2% e S&P 500 e Nasdaq, 0,3% cada.

As Bolsas de Paris e de Frankfurt subiram 0,4%, enquanto os rendimentos dos títulos de curto prazo subiam 14%.

No Brasil, a Bolsa subiu 0,9%, a 104.370, com giro financeiro de R$ 16,7 bilhões, dentro da média diária para o ano.

Entre os destaques estão as ações da Vale, que foram a R$ 49,7, maior cotação desde 31 de julho. A alta de 3,6% foi impulsionada pelo contrato futuro de minério de ferro, que subiu 2,37%, a US$ 94,28 a tonelada, maior patamar em um mês. 

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