Entenda como os ataques na Arábia Saudita afetam o Brasil

Cerca de 6% da produção global deixou de ser produzido; volume supera quedas na década de 1970

Rio de Janeiro

Os ataques com drones a duas instalações petrolíferas na Arábia Saudita neste sábado (14) levaram ao corte de 5,7 milhões de barris de petróleo por dia, cerca de 6% de toda a produção mundial.

Rebeldes houthis, do Iêmen, reivindicaram a autoria dos ataques, mas o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, culpou exclusivamente o Irã. "Teerã fez um ataque sem precedentes contra o fornecimento mundial de energia", afirmou. 

Incêndio na sede da Aramco, em Buqayq, na Arábia Saudita - 14.set.19/AFP

Veja seis perguntas e respostas sobre o impacto que os ataques a estatal Saudi Armco podem causar ao Brasil

  1. Por que esse ataque a duas refinarias na Arábia Saudita fez o preço do petróleo subir tanto?

    Provocou um corte de 5,7 milhões de barris de petróleo por dia na produção, mais de 5% da oferta mundial de óleo, e ampliou a percepção de risco no setor. No mercado financeiro, gerou uma corrida por contratos futuros de petróleo (instrumento que baliza a cotações futuras). Apesar das garantias de que os cortes serão compensados por outros produtores, há temor de acirramento das tensões no Oriente Médio

  2. A Arábia Saudita é tão importante assim para produção de petróleo?

    De acordo com dados da petroleira britânica BP, a Arábia Saudita é o segundo maior produtor mundial de petróleo, atrás apenas dos Estados Unidos, e foi responsável, em 2017, por 13% da oferta global. Tem ainda grande ascendência sobre a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), que controlava 41% da produção em 2018

  3. Qual o efeito sobre a Petrobras: beneficia ou prejudica?

    Como produtora de petróleo, a Petrobras se beneficia de aumentos das cotações internacionais do barril. O mercado, porém, tem dúvidas sobre a capacidade de repasse aos preços dos combustíveis. Caso a resposta seja lenta, a empresa pode ter perdas em suas operações de refino

  4. O preço do combustível vai ter alta no Brasil, então?

    A política de preços da Petrobras prevê o acompanhamento das cotações internacionais, mas a estatal ainda não informou se seguirá imediatamente a disparada atual de preços

  5. Já é possível saber o valor de um reajuste no Brasil?

    Os percentuais dependem da política de preços da estatal

  6. Haverá impacto sobre o preço de outros combustíveis não derivados de petróleo, como o etanol?

    A alta do petróleo impacta também os preços do gás de botijão, do gás natural e do querosene de aviação, que afeta as companhias aéreas e, em consequência, o preço das passagens. Quando a gasolina sobe, produtores de etanol também podem aumentar seus preços, já que a busca por esse combustível cresce

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