EPE vê potencial para a construção de até 16 novos gasodutos no Brasil

Projeção é baseada em documento que recupera projetos já autorizados

Nicola Pamplona
Rio de Janeiro

O crescimento da produção nacional de gás natural pode justificar a construção de até 16 novos gasodutos no país nos próximos anos. A projeção é de estudos que serão lançados na próxima quinta (5) pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética), estatal responsável pelo planejamento do setor de energia.

O documento recupera projetos já autorizados, mas que ainda não saíram do papel, como o Gasoduto Brasil Central, que chega até Brasília, e o gasoduto Uruguaiana-Porto Alegre, que permite a importação de gás argentino para o país.

Além disso, fala em tubulações e unidades de processamento para escoar a produção marítima do combustível, que vem crescendo nos últimos anos, mas com boa parte dos volumes reinjetados nos poços por falta de infraestrutura de transporte.

Estação de compressão de gás natural de São Carlos - Edson Silva - 26.jul.2013/Folhapress

O documento também considera que a oferta líquida de gás no país vai passar dos atuais 59 milhões para 147 milhões de metros cúbicos por dia, com aumento da produção principalmente nas bacias de Campos, Santos e Sergipe-Alagoas.

O plano é indicativo —isto é, aponta projetos que liguem nova oferta de gás a regiões com demanda reprimida— mas não determina que as obras serão construídas. A decisão final, diz o presidente da EPE, Thiago Barral, vai depender do interesse de investidores.

"Estamos olhando onde tem mercados não atendidos e potenciais entradas de gás novo", afirmou. A avaliação considera possíveis efeitos do programa Novo Mercado de Gás, lançado pelo governo para ampliar a competição e reduzir o preço do combustível.

O presidente da EPE não adiantou a estimativa total de investimentos. Dos 16 gasodutos indicados, cinco ligam plataformas marítimas ao continente —do pré-sal à bacia de Sergipe-Alagoas— e os outros transportam o gás aos mercados consumidores.

O maior deles é o Brasil-Central, com cerca que 905 quilômetros de extensão ligando São Carlos (SP) à capital federal. Chegou a ser autorizado à empresa TGBC, do empresário Carlos Suarez, mas foi suspenso depois que a Petrobras desistiu de usar a tubulação para abastecer natimorta fábrica de fertilizantes de Uberaba (MG).

O diretor de Estudos de Petróleo e Gás da EPE, José Mauro Ferreira Coelho, diz que há potencial para a retomada da fábrica e do surgimento de novos clientes para o gás natural na região Centro-Oeste. 

"Com o Novo Mercado de Gás, vamos ter preços mais competitivos e, com preços mais competitivos, podemos ter demanda", afirmou. A estatal prevê gastos de ao menos R$ 7,2 bilhões nesse projeto.

Já o gasoduto Uruguaiana-Porto Alegre estava suspenso por falta de gás na Argentina. Agora, com a descoberta de reservas gigantes de gás não convencional em uma área denominada Vaca Nuerta, na Patagônia, volta ao radar de investidores. 

"O problema que Vaca Muerta tem hoje não é de oferta, mas de demanda", disse o diretor-geral da argentina Transportadora Gás del Norte, Daniel Ridelener, na conferência Rio Pipeline. O país vizinho produz hoje 145 milhões de metros cúbicos por dia, volume 15% maior do que a produção brasileira.

Outro projeto de grande porte é a duplicação do trecho sul do Gasoduto Bolívia-Brasil, que está operando no limite de sua capacidade. Há ainda pequenos gasodutos ligando novas fontes de oferta, como terminais de importação, à malha nacional já existente.

No mar, a EPE vê necessidade três novas rotas ligando campos do pré-sal ao litoral de São Paulo, Rio e Espírito Santo. Há hoje duas em operação e uma terceira em construção, com capacidade somada para transportar 44 milhões de metros cúbicos por dia. Em 2030, diz a EPE, o pré-sal estará produzindo 71 milhões.

Além disso, considera a necessidade de outro duto no litoral capixaba e um ligando as reservas de Sergipe ao continente. Cada uma das redes de escoamento deve demandar a construção de uma unidade de tratamento de gás, com investimentos estimados em R$ 2,3 bilhões por unidade.

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