Huawei nega interesse em compra da Oi

Operadora brasileira está em recuperação judicial desde 2016

São Paulo

A fabricante chinesa de equipamentos de telecomunicações Huawei disse neste domingo (22) à Reuters que não está interessada em comprar a Oi, ou qualquer outra operadora brasileira.

Segundo o jornal o Globo, Huawei e China Mobile —operadora de telefonia móvel chinesa— estavam pensando em unir forças para adquirir a operadora brasileira. Procurada pela Folha, a Oi não quis comentar.

“Huawei não tem nenhum plano ou interesse em adquirir a Oi ou qualquer outra operadora brasileira”, afirmou a empresa em uma declaração enviada por email para Reuters.

Gigante chinesa estaria interessada na compra da operadora Oi, que está em recuperação judicial desde 2016 - Sergio Perez/Reuters

A compra da operadora brasileira seria uma porta de entrada para os chineses, que pretendem abocanhar a expansão da tecnologia 5G no país. A Oi —que está em recuperação judicial desde 2016— é a maior detentora de rede fibra óptica do país, ponto atrativo para os chineses.

Preparando terreno para participar do leilão da telefonia 5G no Brasil, marcado para março do ano que vem, a chinesa Huawei anunciou uma terceira fábrica no Brasil localizada em São Paulo, com investimento de US$ 800 mi (R$ 3,3 bi) entre 2020 e 2022.

A empresa também já disputou leilões pela instalação da tecnologia em outros países, como Rússia e Coreia do Sul.

No Brasil, a empresa tem uma unidade de serviços de fibra óptica em Manaus e outra fábrica em Sorocaba, onde produzir infraestrutura de apoio às operadoras de telefonia que já utilizam seus serviços.

Segundo o jornal, ainda não se sabe qual seria o modelo de negócio na aquisição da Oi. As empresas chinesas poderiam fazer uma parceria (joint venture), trabalhar juntas no financiamento da operação ou fechar um acordo para fornecer insumos tecnológicos.

A operadora China Mobile chegou a fazer um due diligence (auditorias para avaliação de informações da empresa) na Oi, mas o negócio não vingou. Entre os problemas vistos pelos chineses estavam as precondições como a aprovação da Lei Geral de Telecomunicações.

Com os mesmo objetivos que os chineses, a AT&T —maior operadora de telefonia dos EUA— também estaria de olho na compra da Oi, estendendo mais um campo da guerra comercial entre os países no Brasil. Hoje, a Huawei sofre embargos em em países com Austrália e Nova Zelândia.

Na quinta-feira (19), a Reuters informou que, ao negociar sua rede móvel com a Telefonica da Espanha e a Telecom Italia, a Oi também está envolvida em negociações preliminares com a AT&T e outra empresa chinesa.

(Com Reuters)

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