Ibovespa interrompe sequência de altas, mas mantém os 103 mil pontos

Dólar se mantém a R$ 4,10

Júlia Moura
São Paulo

A Bolsa brasileira interrompeu a trajetória de recuperação, com quatro pregões seguidos de alta, e fechou em leve queda de 0,14% nesta terça-feira (10), mantendo os 103 mil pontos reconquistados na véspera. Já a cotação do dólar se manteve em R$ 4,10.

Gráfico das recentes flutuações dos índices de mercado no pregão da Bolsa de Valores de São Paulo
Depois de quatro pregões de alta, Ibovespa volta a cair nesta terça (10) - Diego Padgurschi /Folhapress

Nesta terça, os mercados seguem pressionados pela cautela de investidores com as reuniões de política monetária da Europa, nesta quinta (12), e dos Estados Unidos, na próxima quarta (18).

Além disso, dados de inflação na China apontam desaceleração da economia. O índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) da China caiu no ritmo mais acentuado em três anos em agosto, aprofundando-se em deflação.

O recuo no mês foi de 0,8% em comparação ao ano anterior, Próximo à expectativa do mercado de queda de 0,9%. Em julho, o declínio foi de 0,3%.

Analistas dizem que a queda da demanda no país e no exterior está forçando algumas empresas chinesas a reduzir os preços para atrair novas encomendas ou cortar a produção para conter custos, diminuindo os lucros já escassos e reduzindo ainda mais a confiança empresarial.

A queda nos preços ao produtor foi ditada principalmente pela fraqueza nos preços das matérias-primas, sobretudo energia e metais.

"Com as pressões do lado da demanda sobre os preços cada vez mais moderadas, acreditamos que mais flexibilização monetária está por vir", disse a Capital Economics em nota aos clientes, prevendo que a deflação do produtor piorará nos próximos meses.

O aumento dos preços dos alimentos e a inflação mais alta ao consumidor não serão uma barreira para a flexibilização da política monetária, disseram analistas.

O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 2,8% em relação ao ano anterior, mesma taxa de julho e acima das expectativas de analistas (2,6%), mas ainda abaixo da meta anual da China, de cerca de 3%.

"Apesar do CPI mais alto, esperamos que o Banco do Povo da China (PBOC) reduza as taxas de juros no quarto trimestre deste ano", disse o ​banco ANZ.

O índice de preços dos alimentos subiu 10% sobre um ano antes, ante um salto de 9,1% em julho, na maior alta desde janeiro de 2012. Os preços da carne de porco subiram 46,7%, após um aumento de 27% em julho, com a peste suína africana dizimando os rebanhos do país.

Apesar da expectativa de medidas de estímulo por parte do governo chinês, o índice CSI 300, que reúne as Bolsas de Xangai e Shenzhen, teve queda de 0,34% conforme a deflação no PPI apontam uma crescente pressão sobre os lucros das empresas.

Já na Inglaterra, o primeiro-ministro Boris Johnson sofreu mais uma derrota no Parlamento. Pela segunda vez, a proposta de novas eleições no Reino Unido foi rejeitada.

Agora, a casa entra em recesso forçado e só volta às atividades depois de 14 de outubro, próximo a data marcada para a saída do Reino Unido da União Europeia que, por determinação dos parlamentares, não pode acontecer sem um acordo.

Apesar do impasse, a Bolsa de Londres subiu 0,44%, com a queda da taxa de desemprego no país, que foi de 3,9% para 3,8% em julho. A expectativa do mercado é que a taxa se mantivesse em 3,%.

Nos Estados Unidos, os índices S&P 500 e Nasdaq se mantiveram estáveis, enquanto Dow Jones teve leve alta de 0,3%.

O Ibovespa acompanhou e recuou 0,14%, a 103.031 pontos. O giro financeiro foi de R$ 17,3 bilhões, acima da média diária para o ano. 

O destaque da sessão foi para as varejistas, que tiveram as maiores quedas do índice com o lançamento do Amazon Prime no Brasil. 

(Com Reuters)

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