Maioria de novos empregos paga até dois salários mínimos, diz Ipea

Apenas nas duas primeiras faixas salariais o número de contratações supera o de demissões

Diego Garcia
Rio de Janeiro

Em contrapartida ao recuo do desemprego no Brasil, a grande maioria das novas vagas geradas no país possui uma remuneração máxima de até dois salários mínimos, aponta análise do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). 
 
Segundo o relatório divulgado nesta quarta-feira (18), apenas as duas primeiras faixas salariais possuem saldos positivos, ou seja, o número de contratações supera o de demissões.
 
"Para todos os demais níveis salariais acima, a dispensa de trabalhadores é maior que o total de admissões", diz o relatório do Ipea.
 
De acordo com a documentação do instituto, nos últimos doze meses, os quatro maiores setores empregadores do país —indústria de transformação, construção civil, comércio e serviços— mostram uma criação maior de empregos com remuneração entre um e dois salários mínimos e uma destruição de vagas com salário superior a esse patamar.

"Em 2015 e 2016, com a crise batendo mais forte, não conseguíamos remunerar nem dois salários mínimos. Em 2019, mesmo começando a se recuperar, em 2010 e 2013 a diferença entre um e dois salários mínimos era muito maior", explicou Maria Andreia Parente, técnica de planejamento do Ipea.
 
"Por mais que a gente gere vagas que remuneram de um a dois salários mínimos, ainda estamos em uma proporção menor do que aquela que vivemos no período pré-crise", acrescentou a técnica.
 
Ela assina o estudo junto com Sandro Sacchet de Carvalho (técnico de planejamento e pesquisa) e Carlos Henrique Corseuil e Lauro Roberto Albrecht Ramos (ambos da diretoria de estudos e políticas sociais).
 
O levantamento do Ipea indica que, a partir do segundo semestre de 2018, a geração de novos postos de trabalho com carteira assinada no Brasil apresentou maior dinamismo, chegando a 521,5 mil novos empregos criados no acumulado de 12 meses até julho deste ano.
 
"Junto a esse bom resultado, as estatísticas também mostram, na margem, uma recuperação dos salários médios de contratação, embora estes, historicamente, mantenham-se abaixo dos salários de demissão", escrevem os pesquisadores do Ipea.

 Para finalizar, a análise do Ipea diz que a grande maioria dos trabalhadores demitidos são aqueles que possuem menos permanência no cargo. Já a menor parcela dos dispensados é formada por aqueles que tinham mais de cinco anos no emprego.
 
No fim de agosto, o IBGE  (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que a taxa de desocupação no Brasil caiu para 11,8%, o que representa 12,6 milhões de pessoas desempregadas, contra 12,5% no trimestre imediatamente anterior (fevereiro a abril de 2019).
 
A taxa de desemprego recuou no país, mas devido em especial à criação de vagas no mercado informal, que bateu novo recorde. O total de empregados do setor privado sem carteira de trabalho assinada teve um aumento de 3,9% (441 mil pessoas), enquanto o número de trabalhadores por conta própria subiu 5,2% (1,2 milhão de pessoas).

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