Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Representante da UE relata temor em ratificar acordo com Mercosul pós-Amazônia

Queixas sobre reflexos das queimadas na floresta foram repassadas ao chanceler Ernesto Araújo em Nova York

Marina Dias Bruno Boghossian
Nova York

O chanceler Ernesto Araújo afirmou nesta quarta-feira (25) que a comissária de comércio da União Europeia, Cecilia Malmström, relatou preocupação de países-membros com possíveis reflexos da crise da Amazônia sobre o acordo comercial entre o Mercosul e o bloco europeu.

As críticas foram passadas a Ernesto pela representante da UE em reunião entre ambos em Nova York. 

O chanceler brasileiro disse que há problemas de comunicação entre os blocos e que a mensagem do governo brasileiro é de que é preciso "intensificar o diálogo" para mostrar que o país tem compromisso com a preservação florestal e com projetos de desenvolvimento sustentável na região.

"Ela [Malmström] mencionou essa preocupação de alguns membros [da UE] em relação à ratificação [do acordo comercial com o Mercosul], porque fazem ligação a questões ambientais no Brasil. O que conversamos é que precisamos intensificar o diálogo para mostrar qual é a prioridade da Amazônia, a dimensão real da questão [das queimadas], a qualidade das políticas brasileiras e o que está sendo feito", afirmou o ministro após o encontro.

Queixas sobre reflexos das queimadas na floresta foram repassadas ao chanceler Ernesto Araújo em Nova York - Mandel Ngan - 13.set.2019/AFP

"Concluímos que haja mais coordenação entre Brasil, Mercosul e União Europeia para mostrar e tranquilizar os países europeus em relação a isso."

Questionado por jornalistas se a coordenação era na área de comunicação, Ernesto disse que "em grande parte" e que "falta um pouco de informação" aos países da Europa.

"Falta a percepção correta do que são nossas políticas, essa questão de informação e comunicação ficou clara que é vital", completou o chanceler.

O discurso de Ernesto está alinhado ao da própria comissária de comércio da UE. Mais cedo, ela havia participado de um evento com investidores no qual foi questionada sobre o impacto da crise na floresta sobre o acordo, mas ponderou que a implementação do trato só deve acontecer em dois anos, o que dará tempo ao Brasil para prover respostas às questões de meio ambiente.

O governo Jair Bolsonaro tem sido criticado por líderes da França e Alemanha, por exemplo, por conduzir uma política ambiental considerada negligente. 

O acordo entre UE e Mercosul foi fechado em junho após 20 anos de negociação, e reúne economias que, somadas, têm PIB de US$ 22 trilhões. Para ser ratificado, porém, ainda falta uma série de etapas —como a aprovação do Conselho Europeu, que reúne o governo de 28 países.

Alguns membros do bloco, no entanto, já falaram publicamente que vão vincular sua implementação à agenda do governo brasileiro para a Amazônia e o combate ao aquecimento global.

Ernesto disse ainda que está negociando um possível novo fundo para a floresta junto com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) que pode sair até o fim do ano.

O ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) já havia anunciado a proposta em viagem a Washington na semana passada, mas nenhum valor ou modelo está previsto.

Perguntado sobre o montante do fundo, o chanceler se ateve a dizer "não tem valores, mas vai ser bastante."

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