Descrição de chapéu Financial Times

AB InBev reduz previsão de lucro após alta de preço da cerveja no Brasil

Coreia do Sul também registrou aumento do valor da bebida no país

Leila Abboud
Financial Times

A maior fabricante mundial de cerveja, Anheuser-Busch InBev, reduziu sua projeção anual de lucro depois de um terceiro trimestre fraco, na qual sofreu arrasto causado pela alta nos preços das commodities, por custos elevados de marketing na China e por aumentos de preços na Coreia do Sul e no Brasil.

As ações da companhia caíram em 10% nas operações matinais da sexta-feira (25), fazendo dela a quarta empresa com pior desempenho no índice Stoxx 600.

A fabricante das marcas Stella Artois e Budweiser reportou vendas e lucros interiores aos esperados para o trimestre, o que a levou a reduzir sua meta de crescimento de lucros antes dos juros, impostos, depreciação e amortização, afirmando que o crescimento seria "moderado", e não "forte" como havia previsto anteriormente.

Felipe Dutra, o vice-presidente financeiro do grupo, disse que "em termos gerais o terceiro trimestre foi desafiador devido a alguns dos mesmos ventos adversos que já haviam sido identificados no segundo trimestre. Mesmo assim, não estamos satisfeitos com os resultados".

O descumprimento de metas foi uma virada negativa considerável para a companhia, cujas ações são cotadas na Bélgica; ela vinha apresentando bom desempenho, depois de um forte segundo trimestre no qual as vendas de cerveja subiram em seu ritmo mais rápido em mais de cinco anos.

A empresa também concluiu recentemente dois desinvestimentos cujo objetivo era reduzir sua dívida de US$ 104 bilhões (R$ 416 bilhões), acumulada com a aquisição da SABMiller em 2016, e isso levou a uma alta de suas ações nos últimos meses.

A AB InBev colocou no mercado uma participação minoritária em seu negócios asiáticos e vendeu suas operações na Austrália à Asahi, do Japão, recebendo cerca de US$ 16,6 bilhões (R$ 66 bilhões) em dinheiro.

Mas esse progresso parou abruptamente no terceiro trimestre. A receita foi de US$ 13,2 bilhões (R$ 52 bilhões), abaixo das expectativas dos analistas, que eram de US$ 13,4 bilhões (R$ 53,7 bilhões), no consenso do setor.

O crescimento orgânico de vendas, um indicador chave para o setor que desconsidera os efeitos de aquisições e de vendas de ativos, foi de 2,7%, ante uma previsão de consenso de 4,7%. O lucro por ação foi de US$ 1,51 (R$ 6,05), ante expectativa de US$ 1,27 (R$ 5,09).

Nos Estados Unidos, seu maior mercado, as perdas de mercado das principais marcas da AB InBev, a Bud Light e a Budweiser, se aceleraram, e no Brasil, seu segundo maior mercado, a desaceleração econômica continuada e um aumento de preços prejudicaram as vendas.

"É como noite e dia, ante o trimestre passado", disse Ed Mundy, analista do banco Jefferies. "O crescimento no segundo trimestre talvez tenha sido distorcido por embarques antecipados para a China e Austrália, e agora eles estão vendo o reverso disso".

A unidade asiática do grupo, Budweiser APAC, também publicou seus resultado iniciais na sexta-feira, mostrando "ligeira queda" de vendas no importantíssimo mercado chinês, onde o volume de vendas caiu em 6% no período ante o terceiro trimestre do ano anterior, em parte devido às vendas fracas em bares.

Um aumento de preços na Coreia do Sul, que prejudicou a demanda lá, será revertido, disse a companhia. As ações da unidade asiática fecharam em queda de 2,6% em Hong Kong.

As ações da AB InBev estão sendo negociadas por cerca de 12% a menos que as da rival Heineken, uma empresa de menor porte, com base no múltiplo preço/lucro projetado, de acordo com a S&P Capital IQ. Antes do anúncio de resultados da sexta-feira, as ações da AB InBev mostravam alta de 31% este ano, ante alta de 22% para a Budweiser.

Tradução de Paulo Migliacci

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