Após contestações, Caixa estuda reduzir taxa de administração do FGTS

Pedro Guimarães diz que decisão tem de ter aval de Paulo Guedes

Fábio Pupo
Brasília

O presidente da Caixa, Pedro Guimarães, disse hoje que estuda uma redução da taxa de administração dos recursos do FGTS. A afirmação é dada após declarações contestando a tarifa e o monopólio do banco na gestão do fundo.

“A Caixa está estudando neste momento potenciais reduções na taxa de gestão. Já temos um número e há tranquilidade para ter essa redução”, disse em entrevista sobre a liberação dos saques do FGTS.

Guimarães não quis dar mais detalhes dizendo que precisaria de aval do ministro da Economia, Paulo Guedes, para comentar o assunto. Segundo ele, no entanto, o avanço tecnológico (com várias operações feitas pelo celular, por exemplo) possibilita a redução das taxas cobradas.

O presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, durante entrevista coletiva para anunciar os calendários de pagamentos do FGTS e das cotas do PIS - Marcelo Camargo - 5.ago.19/Agência Brasil

Os técnicos da Caixa defendem que o banco usa a taxa de administração do FGTS para cobrir custos como o transporte do dinheiro e a segurança envolvida nas operações, como a do saque imediato que libera até R$ 500 por conta do fundo

“A gente tem claramente um potencial de redução. Por outro lado, teríamos um gasto de R$ 1 bilhão nesses pagamentos [do saque imediato do FGTS]. Estamos totalmente abertos à redução da taxa de gestão porque o objetivo da Caixa é retornar aos brasileiros esses resultados que nós temos”, disse.

A declaração é dada depois de um movimento crescente no Congresso para baixar a cobrança. O relator da proposta que libera saques do FGTS, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), considera elevada a taxa de 1% ao ano sobre ativo total do fundo. 

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta semana que a Caixa rouba R$ 7 bilhões do trabalhador com a cobrança da taxa de administração do FGTS.

Também nesta semana, o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, disse que o banco tem interesse em disputar uma concorrência pública para a gestão dos recursos após um fim do monopólio nas mãos da Caixa Econômica Federal. O governo, no entanto, até hoje não propôs nenhuma medida nessa direção. 

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