Bolsa recua e dólar vai a R$ 4,17 em dia de ruídos políticos

Dia foi positivo para moedas emergentes, que subiram ante o dólar

Tássia Kastner
São Paulo

A Bolsa brasileira até tentou surfar no dia mais positivo nos Estados Unidos, mas não conseguiu sustentar a alta que aproximava o mercado local da máxima histórica atingida em julho. O resultado foi mais um dia de perdas e de dólar de volta ao patamar de R$ 4,17.

É verdade que foi a primeira queda do Ibovespa, o principal índice acionário do país, em seis pregões, mas ela mostra a investidores que está difícil voltar a bater recordes. Faltam notícias realmente positivas e dinheiro de estrangeiros, que continuam a deixar a Bolsa —a saída líquida deles está em R$ 10,3 bilhões apenas no acumulado de outubro.

O Ibovespa terminou o pregão em queda de 0,38%, a 105.015 pontos. O giro financeiro voltou a se alinhar com a média diária do ano, ao redor dos R$ 16 bilhões.

Olhando por papéis, o desempenho negativo foi puxado por ações de bancos, que recuaram ao redor de 1%, e também da Petrobras (queda de 0,9% nos papéis preferenciais e de 1,50% nos ordinários).

No noticiário político-econômico, investidores monitoram o acirramento da briga do presidente Jair Bolsonaro (PSL) com membros do partido. Nos últimos dias, foram vazados áudios do presidente e também de um agora antigo aliado, deputado Delegado Waldir, ameaçando divulgar informações sobre o presidente, dizendo que o implodiria.

Isso ocorreu após a tentativa do Planalto, na noite de quarta (16), de destituí-lo do cargo de líder do partido na Câmara em favor de Eduardo Bolsonaro, o filho 03 do presidente que até então estava sendo cotado para embaixador do Brasil em Washington.

O que foi bem sucedida, do lado do Planalto, foi a destituição da líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann.

No campo econômico, o governo divulgou a criação de mais de 150 mil vagas com carteira assinada em setembro, número que superou as estimativas do mercado financeiro. Foram geradas vagas em todos os estados brasileiros.

No mercado de câmbio, o dólar chegou a ensaiar uma queda ante o real, seguindo a tendência para moedas emergentes no exterior. Ao fim do dia, de 24 divisas emergentes, 22 ganharam força ante a americana.

No Brasil, o dólar terminou em alta e cotado a R$ 4,1720, maior patamar desde 23 de setembro.

Assim como saem recursos da Bolsa, o mercado de câmbio também registra saldo negativo no fluxo cambial. Com a saída de dólares, a moeda americana se valoriza ante a brasileira.

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