Brasil não deve se meter na guerra entre China e Estados Unidos, diz ministra da Agricultura

Para Tereza Cristina, governo brasileiro precisa manter a equidistância

Raquel Landim
Pequim

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou à Folha que o Brasil “não deve se meter” na guerra comercial entre China e Estados Unidos e precisa continuar mantendo uma postura equidistante do conflito.

"Amigos, amigos, negócios à parte", reforçou a ministra, quando questionada se a proximidade entre o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, e o mandatário americano, Donald Trump, poderia influenciar no comportamento do Brasil.

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, em Brasília - Evaristo Sá - 6.ago.19/AFP

Cristina está em Pequim para uma série de reuniões preparatórias para a visita de Bolsonaro, que chega a capital chinesa na próxima quinta-feira (24). Será a segunda parada do presidente em seu giro pela Ásia, logo após o Japão.

Antes de embarcar, Bolsonaro havia dito o Brasil está aberto a negócios independente de posições ideológicas. A China é o maior parceiro comercial do Brasil. Em 2018, a China comprou US$ 63,92 bilhões (R$ 259,3 bilhões) em produtos brasileiros, o equivalente a 26,7% das exportações totais.
 
O setor agrícola deve ser um dos principais focos da visita presidencial, em conjunto com a atração de investimentos. O esforço do governo brasileiro é diversificar as vendas para  o país asiático, hoje muito concentradas em soja, minério de ferro e petróleo.
 
Segundo a ministra, os dois países estão próximos de assinar um protocolo sanitário para a exportação de frutas. O Brasil venderia melão para a China, que, por sua vez, embarcaria peras ao país.

A equipe técnica do ministério tenta ainda liberar as exportações de farejo de soja e de elevar o número de frigoríficos habilitados a vender para a China. Hoje cerca de 80 unidades já tem permissão. O objetivo é conseguir mais 21.

Alguns protocolos serão assinados durante a visita de Bolsonaro a Pequim, enquanto outros só devem ser concluídos em novembro, quando o presidente chinês Xi Jiping estará em Brasília para a reunião dos Brics.

Nesta terça-feira (22), autoridades chinesas também informaram ao governo brasileiro que querem estudar maneiras de importar etanol do país. Se a iniciativa vingar, pode representar um imenso mercado para as usinas no Brasil.

O assunto foi discutido durante reunião entre Cristina e o chairman da COFCO, maior holding estatal de processamento de alimentos da China, Jun Lyu.

“Vamos montar um grupo de trabalho com representantes dos dois países para entender como isso poderia ser feito”, disse Cristina. “Eles são cuidadosos e devem começar a utilizar etanol muito gradativamente”.

Para reduzir os altos níveis de poluição em suas capitais, a China vem apostando em carros elétricos e agora também em veículos híbridos. Segundo o relato das autoridades chinesas, existe uma determinação de começar a misturar etanol na gasolina já a partir de 2020.

Não se sabe, contudo, qual seria o percentual adotado na mistura e nem se haverá uma fase de testes em alguma região do país. A China não produz etanol e os maiores exportadores mundiais, Brasil e Estados Unidos, não teriam condições de atender uma demanda muito grande

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