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Camiseta que não precisa lavar tanto funciona, mas repetição de modelo cansa

Repórter usa por 30 dias apenas três peças da roupa, feitas de lã de merino ou de algodão orgânico com fibra de algas e óleo de hortelã

Jacob Gallagher
Nova York | The Wall Street Journal

“Estou cheirando mal?” Por um mês, essa questão surgiu na minha cabeça praticamente a cada instante que passei acordado.

Por mais ou menos 30 dias, usei três camisetas que são comercializadas com a mensagem de que precisam de lavagens menos frequentes por conta de suas propriedades de resistência ao mau cheiro e de absorção de umidade.

Em lugar de colocá-las na cesta de roupa suja depois de um dia de uso, como faço com camisetas comuns de algodão, eu as tirava e sacudia, na esperança de que uns safanões bastassem para erradicar o cheiro da cidade e o aroma de minhas axilas.

O método funcionou, em linhas gerais: durante meu mês de teste de fedor, não detectei cheiros desagradáveis. E, sim, meu nariz funciona direitinho.

Peças de roupas feitas com fibras que não precisam de tanta lavagem - Divulgação

Duas das três camisetas que testei contêm lã merino, que supostamente resiste naturalmente ao mau cheiro graças ao revestimento de lanolina em suas fibras.

Embora casacos e outras peças de lã merino para uso ao ar livre existam desde a metade da década de 1990, quando marcas do tipo REI [uma famosa fabricante americana de roupas para uso ao ar livre] emergiram, a exemplo da Smartwool, grifes como a Outlier, Unbound, Wool & Prince e Rhone começaram mais recentemente a comercializar camisetas com a fibra e de material misto, incluindo merino, para uso cotidiano.

No dia em que conversamos, Taylor Welden, 35, designer industrial freelancer e editor sênior do site de equipamento para viagens carryology.com, estava usando uma camiseta Unbound de lã merino pelo quinto dia consecutivo.


Merino também é usado em tênis

A lã de merino não está restrita a camisetas. A fibra também é usada na produção de tênis, suéteres, meias e casacos, entre outros. A Yuool, por exemplo, fabrica tênis com lã do tipo merino. A marca só tem um modelo de sapato, em nove cores, que serve para homens e mulheres —os modelos custam a partir de R$ 349 nas vendas pelo site da empresa.


“Ela continua com cheiro de nova, com aparência de nova”, ele disse, entusiasticamente.

Essas camisetas certamente atrairão as pessoas preocupadas com a ecologia, que desejem usar menos suas máquinas de lavar, ou os fãs de Marie Kondo (guru japonesa de limpeza e arrumação) e sua abordagem de buscar a alegria via redução de nossas propriedades terrenas.

Ou viajantes interessados em maximizar sua capacidade de carga, como Zach Boyette, 27, um empreendedor que trabalhou a distância durante três anos enquanto viajava.

As camisetas “mudaram completamente o jogo para mim”, disse Boyette, cujo guarda-roupa completo de camisetas consiste de cinco peças de merino Wool & Prince que ele carrega na mochila.

Com que frequência você precisa realmente lavar essas peças de roupa ambiciosas? Mac Bishop, fundador da Wool & Prince, de Portland, diz que ele usa uma camiseta 20 vezes ou mais antes de lavá-la.

Mas o senso comum precisa prevalecer: se você derramar café na camiseta, a mancha não vai desaparecer magicamente. Lave-a e pronto. 

Boyette percebeu que, se estiver em um lugar especialmente quente, é preciso lavar com mais frequência as camisetas de merino.

Tendo essas orientações em mente, experimentei uma camiseta Unbound de lã preta, uma camiseta Wool & Prince feita com 78% de lã e 22% de nylon, de cor creme, e uma camiseta da Pangaia, uma companhia de Nova York, a única não feita de lã.

Todas funcionaram, em termos de resistir ao mau cheiro. Mas as camisetas de lã da Unbound e da Wool & Prince grudavam no meu peito e causavam coceira.

Também tive dificuldades psicológicas com a cor creme da camiseta da Wool & Prince, feita de lã natural sem tintura, porque fazia com que a camiseta parecesse menos limpa do que uma camiseta branca de algodão.

Minha favorita foi a camiseta da Pangaia, feita de algodão orgânico e fibra de algas, e tratada com óleo de hortelã. De acordo com o site da marca, a alga absorve a umidade e o hortelã tem propriedades antibacterianas.

A camiseta caía exatamente como um modelo de algodão, mas não absorvia cheiros como ele. Infelizmente, a marca imprime seu logotipo e a composição da camiseta no peito do modelo.

Esse detalhe lamentável permitia que meus colegas percebessem com facilidade demais que eu estava usando de novo a mesma camisa, todo dia. Todo santo dia.

Brasileiro consegue importar roupa, mas produto é caro

As camisetas que minimizam odores feitas da lã de merino ou outros produtos têm entrega para o Brasil e podem ser adquiridas nos sites das marcas. Os preços variam de US$ 65 (R$ 263,90) a US$ 85 (R$ 345) —caso da Pangaia, que também é orgânica—, sem considerar o frete.

A Unbound custa US$ 65, além da entrega de US$ 28,91 (R$ 117,37). O produto da Woll & Price sai por US$ 68 (R$ 276) mais o valor da entrega, de US$ 10 (R$ 40,60). Já a Pangaia, com a camiseta mais cara (US$ 85), não cobra frete. 

Algumas empresas brasileiras também apostam em tecnologias para minimizar o suor e o odor. A Insider, de São Paulo, produz camisetas orgânicas masculinas para serem usadas embaixo de camisas. 

De acordo com a marca, a economia com a lavagem pode chegar a 25% do gasto com água de produtos similares feito de algodão. Elas vão de R$ 79 a R$ 109, além do custo do frete.

Tradução de Paulo Migliacci

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