Com proposta única, governo privatiza raspadinha pelo valor mínimo do leilão

Consórcio Estrela Instantânea levou a Lotex por R$ 96,97 milhões de parcela inicial pelo ônus da outorga

Ivan Martínez-Vargas
São Paulo

A Lotex, popularmente conhecida como raspadinha, foi privatizada nesta terça-feira (22) em leilão realizado em São Paulo. O único proponente do certame, o consórcio Estrela Instantânea, formado por IGT e Scientific Games, levou o ativo ao dar o lance mínimo de R$ 96,97 milhões de parcela inicial pelo ônus da outorga.

O grupo de empresas deverá pagar, ainda, sete parcelas anuais de R$ 103 milhões, a serem corrigidas pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). A outorga total será de R$ 818 milhões e o prazo de concessão é de 15 anos.

A União vai ficar com 16,7% da receita obtida com as vendas de loterias instantâneas. Desse valor, cerca de 90% será destinado à área de segurança pública, segundo o governo. A projeção é que em cinco anos, esse montante supere R$ 1,5 bilhão anual. A concessionária vai ficar com 18,3% da receita bruta e os vencedores dos jogos, com 65%.

Consórcio Estrela Instantânea levou a Lotex por R$ 96,97 milhões de parcela inicial pelo ônus da outorga - Jardiel Carvalho-30.dez.2017/Folhapress

Esta foi a terceira tentativa do governo Bolsonaro de vender a Lotex. Outros dois certames não tiveram interessados. O leilão foi realizado pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social).

"O que foi planejado pelo banco, e os operadores concordam com isso, são 65 mil pontos de venda do país. Embora tenha tido dois leilões desertos, não mudamos os estudos feitos. O que aconteceu do primeiro para cá foi uma questão de transparência e comunicação ao mercado e mudamos o parcelamento de quatro para oito vezes", diz Guilherme da Rocha Albuquerque, chefe do departamento de desestatização do BNDES.

A projeção do banco é que a operação da Lotex gere R$ 19 bilhões de retorno para o governo nos 15 anos de concessão. No cálculo que leva em conta os tributos, o valor seria de R$ 23,5 bilhões.

As duas empresas vencedoras detêm 80% de participação mundial no mercado de loterias instantâneas, segundo Roberto Quattrini, diretor da IGT. Segundo ele, o setor fatura anualmente US$ 80 bilhões (R$ 330,5 bilhões) ao ano no mundo. As duas empresas do consórcio são sediadas nos Estados Unidos e têm ações negociadas em bolsa.

"O valor da outorga não é o mais importante. Cada centavo que as duas empresas economizaram na outorga será revertido em investimentos. As duas se juntaram no Brasil porque o país tem grandes dimensões", disse a jornalistas. O grupo, porém, não divulga o valor dos aportes que pretende fazer.

Segundo ele, a previsão de faturamento total com a operação nos 15 anos de concessão supera os R$ 112 bilhões. Já arrecadação máxima por ano com raspadinhas quando a Caixa oferecia o produto foi de R$ 215 milhões, diz Quattrini. O banco parou de oferecer o produto em 2015.

A diferença entre os montantes é grande porque as previsões do BNDES e das empresas vencedoras do leilão é de que a receita deverá crescer rapidamente com a ampliação do número de pontos de venda e a oferta de mais produtos, como a raspadinha digital.

As novas raspadinhas estarão disponíveis ao consumidor até julho de 2020, de acordo com o consórcio. 

O evento foi realizado na sede da B3, no centro de São Paulo. Na porta, houve protestos contra a privatização da Lotex.

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