Diário Catarinense e capixaba A Gazeta deixam de ser diários

Ambos passam a priorizar a cobertura online e adotam circulação impressa semanal

Nelson de Sá
São Paulo

Dois dos principais jornais regionais do país, o Diário Catarinense, de Santa Catarina, e A Gazeta, do Espírito Santo, estão deixando a circulação impressa diária.

Seguem o caminho de outros títulos de alcance estadual, como a Gazeta de Alagoas em 2018, a paranaense Gazeta do Povo em 2017 e o Jornal da Paraíba em 2016.

Lançado em 1986, o Diário Catarinense ou DC: (no logotipo atual a abreviatura é seguida de dois pontos) vai passar a circular semanalmente, em formato tabloide, mas com papel especial, no sábado (26). A última edição diária sai na sexta anterior.

Diario Catarinense, do grupo NSC, deixa de ter periodicidade diária e passa a ser semanal
Diario Catarinense, do grupo NSC, deixa de ter periodicidade diária e passa a ser semanal - Reprodução

Lançada em 1928, A Gazeta passou a circular semanalmente no último dia 5. Nos dois casos, os parques gráficos estão sendo desativados, com as novas edições sendo impressas de forma terceirizada.

Além dos dois títulos mais conhecidos, também outros ligados a eles são alvo de mudanças. O grupo capixaba Rede Gazeta, no final de julho, já havia fechado o jornal popular Notícia Agora.

E o grupo NSC Comunicação, além do DC:, está tornando semanais A Notícia e o Jornal de Santa Catarina. Um quarto jornal, Hora de Santa Catarina, vai deixar de circular.

Os dois grupos não forneceram o número de demissões, informando apenas que se concentraram em gráfica e distribuição, com impacto menor nas Redações. Ambos buscam manter o conteúdo jornalístico nas edições semanais e nas plataformas digitais.

Café Lindenberg, diretor-geral da Rede Gazeta, diz que as mudanças já eram previstas para daqui a dois ou três anos, pelos desafios próprios ao modelo de negócios do setor, mas foram aceleradas devido à economia do país.

De maneira geral, avalia ele, "os diários regionais teriam uma sobrevida impressa mais longa do que estão tendo, mas a crise econômica foi muito sentida e, para nós, o maior motivador".

Lindenberg relata que que "a audiência digital da Gazeta já tinha se tornado várias vezes maior que no impresso, que, por outro lado, tinha custos crescentes", o que levou à preparação do novo projeto.

"No campo digital, a ideia é ampliar assinantes, oferecendo conteúdos exclusivos", diz. "O impresso segue como antes. Vários anunciantes vão continuar conosco. E parte da receita nós conseguimos converter para o digital e outros produtos, TV, eventos."

Mas nem tudo permanece, caso da publicidade legal, de governos e entes públicos, porque exige jornal de circulação impressa diária. "Mas foi uma conta que a gente fez, o impresso vinha deficitário há anos".

Bruno Watte, diretor de Produto e Operações da NSC Comunicação, diz que na nova fase do DC: e dos outros títulos do grupo "o conteúdo seguirá sendo relevante, independente, 100% alinhado aos nossos valores jornalísticos" e descreve a mudança como "um ajuste na forma de distribuição".

A maior motivação foi a mudança nos hábitos de consumo de informação, diz. "O nosso leitor, que até poucos anos atrás estava acostumado a acordar, abrir a porta de casa e pegar o jornal, agora pega o celular na cabeceira para se atualizar."

O critério para implementar agora as mudanças, diz Watte, "foi fazer a transformação enquanto temos uma base de assinantes saudável, enquanto as coisas estão bem".

Erramos: o texto foi alterado

Diferentemente do que foi afirmado em versão anterior desta reportagem, a edição impressa do Jornal do Commercio, de Pernambuco, não deixou de circular diariamente. O texto foi corrigido.

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