Descrição de chapéu The Wall Street Journal

Donas da Fiat e da Peugeot negociam fusão

Opção criaria uma gigante de US$ 50 bilhões

Londres, Paris e Detroit | The Wall Street Journal

A Fiat Chrysler (FCA) e o PSA Group da França, fabricante do Peugeot, estão conversando sobre uma possível combinação, segundo pessoas inteiradas do assunto —um acordo que poderia criar uma gigante automobilística de US$ 50 bilhões.

Uma possibilidade que os dois lados estão discutindo, segundo uma dessas pessoas, é uma fusão total de ações entre iguais.

Carlos Tavares, executivo-chefe da Peugeot, comandaria a nova montadora como CEO, enquanto John Elkann, presidente da FCA e chefe da família Agnelli, que controla a fabricante ítalo-americana, assumiria o mesmo papel na nova companhia.

As conversas são fluídas, segundo uma dessas pessoas, e outras opções ou condições poderão ser consideradas. Não há garantia de que um acordo final seja fechado.

A proposta ocorre meses depois que a Fiat desistiu de uma oferta anterior de fusão com a Renault, rival da Peugeot.

O acordo fracassou depois que a Fiat não conseguiu apoio do governo francês, um grande acionista da Renault, e da Nissan, parceira de aliança com a Renault.

A Fiat havia deixado em aberto a possibilidade de renovar as negociações com a Renault. Também havia sido já tinha abordada pela Peugeot sobre uma combinação.

A consolidação do setor automobilístico é um assunto recorrente, enquanto as marcas lutam por clientes, especialmente em mercados maduros.

As montadoras também sofrem intensa pressão para inovar com veículos elétricos e autônomos, forçando a colaboração entre adversários tradicionais para dividir o peso do investimento.

Uma combinação elevaria a posição da Peugeot e da Fiat na indústria automobilística global, com ganhos de escala adicional e potenciais oportunidades de cortes de custos.

As duas empresas venderam juntas 8,7 milhões de veículos no ano passado, o que teria classificado sua combinação na quarta posição, pouco à frente dos 8,4 milhões de veículos vendidos pela GM.

Ainda haveria alguma distância entre uma Fiat Chrysler-Peugeot combinada e as três principais fabricantes de automóveis do mundo.

A Volkswagen vendeu 10,8 milhões de veículos em 2018, aproximadamente o mesmo que a aliança entre Renault, Nissan e Mitsubishi. A Toyota Motor Corp., em 3º lugar, vendeu 10,6 milhões de veículos.

Tavares, da Peugeot, está ansioso para expandir os negócios nos Estados Unidos, de onde a marca francesa está ausente há quase três décadas.

Ele esboçou planos para eventualmente reintroduzir a marca no país, mas uma ligação com a FCA significaria amplo acesso ao mercado americano. Os revendedores Fiat Chrysler, que trabalham com as populares marcas Jeep e Ram, também poderiam oferecer modelos Peugeot.

Um acordo daria à FCA mais exposição na Europa, onde a Peugeot vendeu 2,5 milhões de veículos em 2018, contra 1 milhão da Fiat Chrysler.

A ítalo-americana, no entanto, tentou nos últimos anos diminuir sua dependência do continente. Uma Fiat Chrysler-Peugeot combinada venderia quase tantos veículos na Europa quanto a Volkswagen, a líder de mercado, com 24% de participação.

Tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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