Descrição de chapéu The New York Times

Ex-presidente da WeWork é acusado de discriminar funcionária grávida

Outras mulheres acusam a empresa de discriminação de gênero

The New York Times

Quando a chefe de gabinete de Adam Neumann, cofundador da WeWork, engravidou, em 2016, relutou em dar a notícia ao chefe imediatamente.

Mas, por fim, a empregada em questão, Medina Bardhi, sentiu que não tinha escolha.

Precisava explicar que já não poderia acompanhar Neumann em suas viagens de negócios, devido à "inclinação dele a portar maconha em voos fretados e fumá-la durante o percurso todo, dentro da cabine fechada", de acordo com a queixa que ela apresentou à Comissão de Igualdade no Emprego de Nova York, nesta quinta-feira (31).

O que se seguiu, de acordo com a queixa, foi um padrão de discriminação. Bardhi foi repetidamente ridicularizada e marginalizada por Neumann e outros executivos da WeWork.

Adam Neumann, cofundador da WeWork, que renunciou que à presidência executiva da empresa em setembro.
Adam Neumann, cofundador da WeWork, que renunciou que à presidência executiva da empresa em setembro. - REUTERS

Ele se referia à licença-maternidade dela como férias ou aposentadoria, e outra funcionária importante da empresa, Jennifer Berrent, comentou: “Nossa, você está ficando enorme”, sobre Bardhi, diante de outro executivo da companhia.

Neumann, que prometeu que promoveria a causa das mulheres na WeWork, renunciou à presidência executiva da empresa em setembro, depois que a tentativa de oferta pública inicial de ações da companhia fracassou dramaticamente. Ele recebeu um contrato em valor de US$ 185 milhões para trabalhar como consultor para a WeWork por quatro anos.

Nos últimos meses, outras mulheres abriram processos nos quais acusam a WeWork de discriminação de gênero. Suas queixas agravaram a tempestade de críticas que a companhia e Neumann enfrentam, de executivos financeiros, analistas e atuais e antigos empregados da empresa.

A liderança de Neumann vem sendo submetida a um escrutínio especialmente rigoroso. Ele foi criticado por manter um estilo de vida luxuoso e por dar poder excessivo na companhia a membros de sua família, entre os quais sua mulher, Rebekah.

Uma porta-voz de Neumann se recusou a comentar e encaminhou as perguntas à WeWork. Gwen Rocco, porta-voz da empresa, declarou em comunicado que “a companhia pretende se defender vigorosamente” contra a queixa.

“Temos tolerância zero a qualquer forma de discriminação”, disse Rocco. “Temos o compromisso de avançar como companhia e de construir uma companhia e uma cultura da qual nossos empregados possam se orgulhar”.

Durante seus cinco anos na WeWork, Bardhi engravidou duas vezes e foi demovida nas duas ocasiões, segundo a queixa. Ela foi demitida no começo de outubro, pouco depois da saída de Neumann.

A queixa também afirma que a cultura da WeWork em termos gerais envolvia abusos e desrespeito às mulheres -um ambiente de trabalho no qual o consumo excessivo de álcool alimentava conduta sexual ofensiva, e no qual as mulheres rotineiramente ganhavam pior do que os colegas homens por trabalhos semelhantes.

Douglas Wigdor, o advogado de Bardhi, disse esperar que a Comissão da Igualdade no Emprego venha a encarar as experiências dela como parte de um problema sistêmico na companhia e decida mover uma ação coletiva contra a WeWork.

A discriminação enfrentada por Bardhi começou antes mesmo que ela fosse contratada pela WeWork, afirma a queixa. Em uma entrevista de emprego em outubro de 2013, Neumann perguntou a Bardhi, “ilegal e intrusivamente”, se ela planejava se casar ou engravidar –uma questão que a deixou “atônita e desconfortável”, de acordo com a queixa.

Quando Bardhi engravidou, três anos mais tarde, Neumann a substituiu por um empregado homem, que recebia salário mais de duas vezes superior.

Depois, em lugar de lhe devolver o posto de chefe de gabinete quando ela retornou da licença-maternidade, a empresa não lhe deu orientação clara sobre suas responsabilidades cotidianas.

Por fim, ela foi reconduzida ao posto. Bardhi engravidou de novo em fevereiro de 2018, e o ciclo se repetiu –um homem foi contratado para o seu posto, e ela se viu marginalizada ao voltar ao trabalho.

“Ela não recebeu informação sobre qual seria seu novo papel”, segundo a queixa. “Isso era uma evidente retaliação contra ela por tirar sua licença-maternidade e discriminação contra uma empregada grávida e a mãe de um recém-nascido”.

As dificuldades de Bardhi continuaram no período que antecedeu a oferta pública inicial fracassada. Quando Neumann e Bardhi estavam voltando juntos de carro dos escritórios do banco JPMorgan Chase, em 16 de setembro, a queixa afirma, ele disse a ela: “Espero que você tenha curtido suas férias”.

Tradução de Paulo Migliacci

 

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