Itaú prevê juro real próximo de zero em 2020

Banco espera que queda da Selic leve a maior crescimento do PIB

Tássia Kastner
São Paulo

O Itaú Unibanco baixou sua projeção para a taxa Selic para 4,5% ao final deste ano e reduziu a patamar ainda menor a previsão de 2020, 4%. Com as revisões também nas expectativas de inflação —essas para cima—, o banco agora espera que o país terá juro real praticamente zero em no próximo ano.

Segundo o Itaú, a inflação no ano que vem será de 3,7%, ante os 3,5% estimados anteriormente.

“Acreditamos que, dada a queda do juro real neutro, é necessário estímulo monetário adicional para que a economia passe a ter uma recuperação mais robusta. Além disso, não vemos risco de inflação de demanda no próximos anos, mesmo que a atividade retome um ritmo acima do esperado”, escreveu o Itaú Unibanco em relatório assinado pelo economista-chefe do banco, Mario Mesquita.

O economista Luka Barbosa acrescentou que o banco já trabalhava com a sinalização do Banco Central favorável a uma queda maior dos juros, mas que revisou sua projeção após o acordo comercial anunciado na sexta-feira (11) entre Estados Unidos e China.

Segundo ele, o anúncio, mesmo que frágil e de um acordo limitado, dissipou os riscos de uma desvalorização maior do real ante o dólar, o que poderia ter um efeito maior sobre a inflação. 

"A única coisa que impedia a queda maior da Selic era o cenário de full trade war [guerra comercial completa, com tarifa sobre todos os produtos]. Foi um alívio razoável em relação à tendência que estava antes", afirma Barbosa sobre o acordo da sexta-feira.

Nas projeções de consenso do Boletim Focus do Banco Central, a Selic terminará o ano em 4,75% e se manterá neste nível em 2020.

Mas no grupo de especialistas que mais acertam suas projeções, a estimativa passou a ser de uma taxa menor no próximo ano que a do fechamento em 2019, 4,50%. Em ambos os casos, o Itaú passa a ter uma previsão mais agressiva para a queda de juros.

Essa redução da Selic seria, na avaliação do banco, a responsável por deixar o dólar mais caro e elevar marginalmente a inflação.

É a redução dos juros, segundo o banco, que permitiria uma retomada econômica um pouco mais robusta que a prevista até então. O Itaú foi o primeiro a cortar as projeções de alta do PIB (Produto Interno Bruto) deste e do próximo ano e agora puxa as estimativas de novo para cima.

A equipe econômica do banco espera que a economia cresça 1% neste ano, ante os 0,8% estimados anteriormente. Em 2020, a economia poderá crescer 2,2%, ante o 1,7% que estavam sendo projetados. 

“Dados recentes, principalmente relacionados ao consumo, levaram a uma revisão da nossa projeção de crescimento do PIB em 2019 de 0,8% para 1,0%”, disse o banco, ressaltando a liberação de recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).

Trabalhadores sem poupança na Caixa começam a sacar o dinheiro nesta sexta-feira (18), seguindo o cronograma pela data de aniversário que se estende até março de 2020.

“A melhora dos dados de atividade é boa notícia, mas ainda é cedo para afirmar que o crescimento já esteja se acelerando de forma consistente”, acrescentou o banco.

Com a queda da Selic, a taxa de câmbio deve fechar em R$ 4 em 2019 e R$ 4,25 no próximo, reflexo da menor entrada de dólares para o ganho com taxa de juros no país.

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