PF investiga vazamento de reuniões do Copom para o BTG

Banco é alvo de operação; em delação Palocci diz que André Esteves era informado pelo ex-ministro Mantega

Bruna Narcizo
São Paulo

A Polícia Federal e Ministério Público Federal investigam se a cúpula do banco BTG Pactual obteve informações das reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) durante os anos de 2010 a 2012.

Uma operação deflagrada nesta nesta quinta-feira (3) investiga se houve vazamentos dos resultados das reuniões, que definem a taxa de juro básica do país (Selic), envolvendo agentes públicos do alto escalão do governo federal da época e o banco “em contexto de obtenção de vantagens ilícitas mútuas”, segundo a Procuradoria.

A investigação foi instaurada a partir de colaboração premiada do ex-ministro Antonio Palocci e apura se houve fornecimento de dados sigilosas sobre mudanças na taxa de juros por parte da cúpula do do BC e do Ministério da Fazenda. Também apura se as informações foram usadas em favor de um fundo de investimento administrado pelo BTG Pactual.

Segundo Palocci delatou, o então ministro da Fazenda Guido Mantega passava as informações para o banqueiro André Esteves, sócio do BTG que ocupava a presidência do banco no período que é alvo da investigação. Em contrapartida, o banqueiro pagava propina para o ministro e para o PT.

Durante o período dos vazamentos, Palocci não tinha atuação direta sobre o Copom ou BC. Em 2010, ele era deputado federal, no ano seguinte ministro da Casa Civil e em 2012 consultor, mas ele afirmou aos delegados da Polícia Federal que tinha conhecimento sobre os casos por se manter muito próximo a Lula e à cúpula do PT.

A Folha apurou que ele teria apresentado provas para sustentar as afirmações.

 

O fundo teria obtido, com as informações, um lucro de dezenas de milhões de reais, informaram os investigadores. A operação investiga os possíveis crimes de corrupção passiva, corrupção ativa, informação privilegiada, lavagem e ocultação de ativos.

O período mencionado abarca tanto as presidências de Henrique Meirelles à frente do Banco Central (2003 a 2010, no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva), quanto de Alexandre Tombini no comando da autoridade monetária (2011 a junho de 2016, no governo da ex-presidente Dilma Rousseff).

Foi feita busca e apreensão na sede do banco, em São Paulo.

As units (grupo de ações) do BTG Pactual chegaram a cair 10% após a divulgação da notícia. Às 11h40, os papéis tinham queda de 6,9%, a R$ 52,14.

O BTG afirma que o fundo possuía um único cotista pessoa física, que nunca foi funcionário do banco ou teve qualquer vínculo profissional com o BTG ou qualquer de seus sócios. "O Banco BTG Pactual exerceu apenas o papel de administrador do referido fundo, não tendo qualquer poder de gestão ou participação no mesmo".

O Banco Central afirmou "que não foi comunicado sobre o conteúdo da Operação Estrela Cadente, que corre sob segredo de Justiça".

O advogado do ex-ministro Guido Mantega, Fábio Tofic Simantob, diz que "Palocci fez um admirável feito. Conseguiu juntar fatos aleatórios, sem qualquer relação uns com os outros, para criar uma narrativa falsa mas que fosse capaz de seduzir a polícia, já que nem o MPF caiu na sua ladainha".

BTG na mira da PF

23 de agosto de 2019
PF faz busca e apreensão em endereços de ex-presidentes da Petrobras, Graça Foster, e do BTG, André Esteves, a partir de relatos do ex-ministro Palocci. Ele fala de acerto de R$ 15 milhões ao PT em troca de privilégios ao BTG no projeto das sondas do pré-sal da Petrobras.

Abril de 2017
Operação Conclave, que apurou corrupção na venda do Banco Panamericano para o BTG, mirou
funcionários da Caixa, do BC e executivos do banco Novembro de 2015 André Esteve foi preso após
teronome envolvido em conversa do senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS) com o filho do ex-diretor da
Petrobras Nestor Cerveró

Com Reuters

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.