Descrição de chapéu The Wall Street Journal

Powell diz que Fed anunciará medidas para aumentar oferta de reservas para bancos

Depois da recente instabilidade, banco central americano cogita adquirir títulos do Tesouro para reconstruir reservas

The Wall Street Journal

Jerome Powell, o chairman do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, anunciará em breve planos para aumentar a quantidade de títulos de curto prazo do Tesouro que a instituição adquire, com o tempo, a fim de evitar uma repetição do desgaste inesperado que o mercado de atacado financeiro sofreu no mês passado.

Os dirigentes do Fed suspenderam a redução da carteira de ativos do banco central, às vezes descrita como seu balanço, em agosto. Mas não haviam dito quando autorizariam que ela voltasse a crescer para acompanhar a alta nos passivos do banco central, como a moeda em circulação.

Como resultado, os depósitos que os bancos mantêm no Fed, conhecidos como reservas, estão em declínio. A queda dessas reservas causou desgaste nos mercados de financiamento de curtíssimo prazo, o que indica que os bancos começaram a relutar em emprestar essas reservas.

Por meses, os dirigentes do banco central vinham dizendo que em algum momento voltariam a permitir que as reservas crescessem, o que exigiria que o Fed elevasse suas aquisições de títulos do Tesouro, mas não haviam dito exatamente quando pretendiam tomar essa medida.

O chairman do Federal Reserve (banco central americano), Jerome Powell - Win McNamee/AFP

"O momento agora chegou", disse Powell em discurso à National Association for Business Economics, em Denver. Powell não tratou de especificidades em seu discurso, mas disse que "meus colegas e eu em breve anunciaremos medidas para elevar a oferta de reservas ao longo do tempo."

Escassez de fundos que os bancos estivessem dispostos a emprestar, em 16 e 17 de setembro, levou a uma alta acentuada nas taxas de juros dos mercados de financiamento de curtíssimo prazo. Em resposta, o Fed injetou bilhões de dólares de dinheiro no mercado para forçar a baixa das taxas para sua faixa de flutuação pretendida.

Os dirigentes do Fed vêm sendo cuidadosos em afirmar que o atual aumento do balanço do banco central está sendo propelido por essas preocupações operacionais concretas —e não com o objetivo de oferecer novo estímulo à economia, como o Fed fez entre 2008 e 2014, quando adquiriu trilhões de dólares de título de longo prazo do Tesouro e títulos hipotecários.

Em lugar de adquirir títulos de prazo mais longo, Powell disse que os dirigentes do banco central agora estão contemplando comprar títulos de prazo mais curto do Tesouro a fim de restaurar o nível de reservas do sistema.

"Nem as recentes questões técnicas e nem as compras de títulos do Tesouro que estamos contemplando a fim de resolvê-las devem afetar de maneira concreta a postura da política monetária", disse Powell.

As reservas caíram a US$ 1,4 trilhão (R$ 5,7 trilhões) nas últimas semanas, ante US$ 2,8 trilhões (R$ 11,4 trilhões) em 2014, o ano em que o Fed primeiro encerrou e depois reverteu sua campanha de estímulo pós-crise.

Alguns dos atuais e antigos dirigentes do Fed acreditam que a solução mais fácil para as pressões recentes no mercado de financiamento seria construir um "colchão" de reservas cerca de US$ 150 bilhões (R$ 612,9 bilhões) a US$ 250 bilhões (R$ 1 trilhão) mais alto que a marca mais baixa registrada na metade de setembro, por meio da aquisição de novos títulos do Tesouro.

Powell ofereceu menos pistas sobre os planos do banco central para oferecer novos cortes de taxas de juros, depois de baixar a taxa de fundos federais, a taxa de juros de referência da instituição, pela segunda vez em setembro, para sua faixa atual de entre 1,75% e 2%. Ele não ratificou ou refutou explicitamente as recentes expectativas do mercado de um novo corte de 0,25% na reunião do Comitê de Open Market do Fed em 29 e 30 de outubro.

Dados econômicos anunciados na semana passada apontaram para uma desaceleração continuada no ritmo do crescimento do emprego, mas não para uma redução forte. Os números oficiais sobre o emprego nos Estados Unidos mostraram a criação de 136 mil postos de trabalho e uma queda da taxa de desemprego a 3,5%.

Powell disse que os dados recentes do mercado de trabalho vêm sendo sólidos, e que, mesmo com a desaceleração, o ritmo de criação de empregos basta para acomodar a chegada de novos trabalhadores ao mercado.

Uma sequência recente de números fracos sobre a indústria, e outros sinais de desaceleração, ajudaram a alimentar as expectativas de um novo corte em outubro.

Embora a situação do emprego e da inflação nos Estados Unidos venha sendo favorável, Powell disse que os desdobramentos mundiais criam riscos para as perspectivas econômicas, entre os quais a incerteza na política comercial e a saída iminente do Reino Unido da União Europeia.

Powell disse acreditar que o recentes cortes de juros do Fed haviam oferecido sustentação às perspectivas, e declarou que o Fed "agiria da maneira apropriada" para sustentar a atual expansão.
 

Tradução de Paulo Migliacci

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