Descrição de chapéu The Wall Street Journal

UE alerta sobre riscos para redes 5G em meio a crescimento da Huawei

Análise afirma que países membros da UE identificaram técnicas que poderiam ser usadas em ataques

Anna Isaac Parmy Olson
The Wall Street Journal

A UE (União Europeia) identificou uma série de ameaças de segurança específicas relacionadas a fornecedores estrangeiros de equipamentos de telecomunicações, o que reforçou consideravelmente o escrutínio do bloco comercial sobre fornecedores como a Huawei Technologies, de acordo com pessoas informadas sobre o assunto e com uma avaliação de risco preparada por governos europeus e que circulou extraoficialmente.

No começo da semana, a União Europeia divulgou um relatório público alertando que Estados hostis, ou agentes apoiados por estados, representavam uma ameaça de segurança às novas redes móveis 5G que estão sendo colocadas em operação em todo o mundo. As redes 5G prometem conexões mais rápidas e a capacidade de conectar muitos dispositivo —de carros a marca-passos— à internet.

Separadamente, em uma análise de risco não pública que países membros da União Europeia fizeram circular recentemente, governos levantaram diversas questões sobre ameaças específicas de segurança relacionadas a fornecedores de equipamentos de telecomunicações. Um rascunho dessa análise, cuja existência ainda não tinha sido noticiada, chegou às mãos do The Wall Street Journal.

Loja da Huawei em Shenzhenm na China - AFP

A nova avaliação causou alarme entre as autoridades das capitais europeias quanto à Huawei, especialmente, de acordo com pessoas informadas sobre o relatório. A Huawei vem sendo grande fornecedora de equipamentos de rede em grandes economias europeias como o Reino Unido e a Alemanha.

Os líderes europeus estabelecerão regras específicas para os países membros sobre como melhor abordar questões de segurança nas redes 5G antes do final deste ano.

"Essas vulnerabilidades não são de um tipo que possa ser remediado por meio de pequenas mudanças técnicas; elas são estratégicas e de natureza duradoura", disse uma pessoa informada sobre o debate no interior do Conselho Europeu, o órgão de decisões políticas do bloco.

A análise preliminar não cita a Huawei especificamente como fornecedora suspeita. Mas a forte posição de mercado da companhia chinesa como fornecedora de equipamento na Europa faz dela o único alvo sério de escrutínio como fornecedor não europeu. A Huawei é a maior fabricante mundial de equipamento de telecomunicações, adiante da finlandesa Nokia e da Ericsson, da Suécia.

Um porta-voz da Huawei disse que a empresa recebia positivamente "o compromisso da Europa quanto a adotar uma abordagem baseada em provas, com uma análise cuidadosa dos riscos, em lugar de tomar países ou agentes específicos como alvo".

A análise afirma que diversos países membros da União Europeia haviam identificado técnicas específicas que poderiam ser usadas em ataques, entre as quais a possibilidade de que um fornecedor inclua intencionalmente hardware oculto, assim como software nocivo ou software defeituoso, em redes 5G.

A análise também afirma que os países membros haviam reportado o risco de "atualizações de software descontroladas, manipulação de funcionalidades, inclusão de funções que contornam mecanismos de auditoria, 'backdoors', recursos de teste não informados mantidos nas versões definitivas de produtos, entre outras coisas".

Uma porta-voz da União Europeia disse que os países membros haviam identificado riscos para a segurança das telecomunicações que "podem estar relacionados às características de fornecedores individuais, acoplados ao seu papel específico e ao seu envolvimento nas redes 5G".

A análise preliminar estudada pelo The Wall Street Journal é uma compilação de relatórios nacionais individuais sobre os riscos, ameaças e incidentes envolvendo as redes de telecomunicações. O relatório tem por objetivo orientar as autoridades europeias na formulação de diretrizes da União Europeia para os países membros, que poderão optar por adotá-las ou ignorá-las.

Os Estados Unidos e a Austrália vêm alertando seus aliados europeus há muito tempo de que a Huawei, especialmente, representa risco para a segurança nacional. Os Estados Unidos afirmam que a Huawei pode ser forçada a espionar ou a prejudicar redes por ordem de Pequim, algo que a empresa chinesa diz que jamais faria.

O governo chinês afirmou que pede às companhias chinesas que sigam as leis locais nos mercados internacionais em que operam.

Washington vem se mostrando disposta a aliviar a pressão sobre a Huawei, nos últimos meses, em meio às suas negociações comerciais com Pequim.

Mas diplomatas e funcionários dos serviços de segurança dos Estados Unidos continuam a pressionar os aliados do país para que excluam a empresa de redes e contratos, no entanto.

O relatório publicado pela União Europeia no começo desta semana e a atenção que está sendo dedicada à avaliação de riscos que circulou separadamente foram vistos como uma vitória significativa pelos diplomatas americanos, de acordo com pessoas informadas sobre o assunto.

Os Estados Unidos recentemente agiram para restringir a Huawei, mas só proibiram o uso de seus produtos em sistemas "centrais" de redes 5G.

O relatório preliminar não acusa a China especificamente, mas funcionários informados sobre ele dizem que a linguagem empregada na avaliação de risco se refere a Pequim, entre outros. O relatório menciona risco especialmente alto da parte de fabricantes de equipamentos localizados em Estados "sem restrições democráticas ou legais em vigor", uma referência que funcionário familiarizados com o texto dizem ser à China.

O relatório diz que fornecedores ou operadores vinculados a um país "com perfil de alto risco geopolítico aumentariam o risco de espionagem, especialmente onde não existam restrições democráticas e legais em vigor".

Um porta-voz da embaixada chinesa no Reino Unido disse que seu país "promove firmemente a segurança cibernética e se opõe a e reprime todas as formas de ataque cibernético e roubo cibernético". Ele disse que "relatórios e acusações irresponsáveis só servem para agravar as tensões e confrontos no ciberespaço e para envenenar a atmosfera de cooperação".
 
Tradução de Paulo Migliacci

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