Alinhado ao exterior, Ibovespa volta a bater recorde

Dólar sobe 0,4% e volta a R$ 4,015

São Paulo

A Bolsa brasileira chegou a uma nova máxima nominal nesta segunda-feira (4). Este é o sexto recorde em 15 dias, na esteira da aprovação da reforma da Previdência e das negociações de Estados Unidos e China para um acordo comercial.

Nesta sessão, o Ibovespa teve alta de 0,5% e fechou no patamar inédito de 108.779 pontos. Durante amanhã, a alta chegou a 1% e o índice atingiu pela primeira vez os 109 mil pontos, outro recorde.

Operador da Bolsa de valores de Nova York
Bolsa volta a bater recorde nesta segunda (4) - Xinhua/Wang Ying

A nova máxima foi fruto do exterior positivo. No domingo (3), o secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, disse que as licenças para as empresas americanas venderem componentes para a chinesa Huawei Technologies chegarão "muito em breve", acrescentando que não há razão para que um acordo comercial não seja assinado este mês.

Com a notícia, os índices da Bolsa de Nova York também bateram seu recorde nesta segunda (4). Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq renovaram sua máxima histórica com altas de 0,4%, 0,3% e 0,5%, respectivamente. Também contribui para o viés altista os bons resultados corporativos no terceiro tremeste deste ano, cuja maioria excedeu as expectativas de analistas.

Na Europa, os índices acionários fecharam em máximas em mais de um ano. A Bolsa de Paris subiu 1% e voltou ao patamar de junho de 2007, antes da crise financeira. A Bolsa de Frankfurt subiu 1,3% e foi ao seu maior valor desde maio de 2018. Já a Bolsa de Londres foi a sua máxima em um mês, com alta de 0,92%.

Ainda nesta segunda, foi divulgado o PMI (Índice gerente de Compras, na sigla em inglês) da indústria alemã. O índice, que está em contração desde janeiro, teve leve melhora em outubro e foi para 42,1 pontos, contra a expectativa de mercado de 41,9 pontos. Em setembro, o índice chegou a 41,7 pontos, pior nível em dez anos.

O PMI da zona do euro também veio melhor que o esperado e ficou em 45,9 pontos, pouco acima da mínima de sete anos de setembro de 45,7. Este é o nono mês abaixo da marca de 50 que separa crescimento de contração.

No Brasil, a Bolsa subiu 0,54%, a 108.779 pontos. O volume financeiro foi de R$ 18,6 bilhões, acima da média diária para o ano. 

O pregão desta segunda (4) marcou o início do fechamento da Bolsa brasileira às 18h, para acompanhar o mercado americano que saiu do horário de verão.

Nesta sessão, o risco-país medido pelo CDS (Credit Default Swap) de cinco anos foi ao menor patamar desde abril de 2013. O CDS caiu 2,35% e foi para 115 pontos. 

O índice funciona como um termômetro informal da confiança dos investidores em relação a economias, especialmente as emergentes. Se o indicador sobe, é um sinal de que os investidores temem o futuro financeiro do país, se ele cai, o recado é o inverso: sinaliza aumento da confiança em relação à capacidade de o país saldar suas dívidas.

Já o dólar operou descolado do mercado de ações e subiu 0,42%, a R$ 4,015, maior valor desde 24 de outubro.

A alta da moeda americana reflete a sua recuperação frente às principais divisas internacionais, após se desvalorizar 0,6% na semana passada. 

Além disso, o real teve em outubro o segundo melhor mês do ano, o que também colabora para alguma correção da divisa, pelo menos no curto prazo, o que sugere um cenário ainda positivo para a taxa de câmbio.

No âmbito doméstico, investidores esperam o anúncio das medidas preteridas pelo ministro da Economia Paulo Guedes que, segundo ele, dão início a um "transformação da máquina pública", previsto para esta terça-feira (5) e o megaleilão do pré-sal, marcado para quarta (6).

(Com Reuters)

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