BNDES conversa com bancos sobre desinvestimento em ações, diz presidente

O limite de risco diário do banco é de R$ 5,6 bi e a ideia é baixar para R$ 600 mi em três anos

Rio de Janeiro | Reuters

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai reduzir sua carteira de ações em até 80% nos próximos três anos, disse nesta quinta-feria (14) o presidente do banco de fomento, Gustavo Montezano.

"Faremos um desinvestimento relevante nos próximos três anos" disse Montezano, frisando que o banco pode vender esses papéis via oferta pública, mesa de operações ou em bloco.

A cúpula da instituição decidiu recentemente que o BNDES mudará sua carteira de investimentos, aproximando-se mais do perfil de bancos de fomento globais.

Gustavo Montezano, presidente do BNDES
Gustavo Montezano, presidente do BNDES - REUTERS

Atualmente, a carteira de ações do BNDES é de cerca de R$ 120 bilhões. Entre as principais participações do banco estão empresas como Petrobras, Vale, Eletrobras, Suzano e JBS.

O limite de risco diário do BNDES (perda máxima com 99% de confiança no horizonte de um dia) é de R$ 5,6 bilhões e a ideia é baixar para R$ 600 milhões em três anos.

Segundo Montezano, o limite de risco das demais instituições financeiras é em média de R$ 100 milhões ao dia.

"Éramos um bicho fora da curva", disse ele a jornalistas após divulgação do resultado do terceiro trimestre, quando o banco teve lucro de R$ 2,7 bilhões, ante R$ 1,6 bilhão em igual período de 2018. 

Um nova metodologia de venda da carteira de ações também foi aprovada no banco, incluindo a necessidade de aprovação do conselho para operações e venda acima de um bilhão de reais.

Recentemente, um diretor ligado à área financeira, André Laloni, foi afastado após divergir do corpo técnico do BNDES sobre a forma de venda de papéis na carteira da instituição.

Segundo Montezano, um dos objetivos da redução da carteira de ações é redirecionar os recursos para financiamentos de infraestrutura e saneamento.

Apesar do discurso de foco mais social, o BNDES aprovou recentemente a liberação de um empréstimo de R$ 3 bilhões para a gigante de papel e celulose Klabin.

"Não é incoerência com nosso discurso. As empresas querem ter o BNDES no seu portfólio de passivos e, em alguns casos estamos emprestando até um pouco acima do mercado", disse. "O banco vai continuar apoiando a indústria brasileira. Não estamos fazendo isso de forma subsidiada", adicionou.

Sobre a operação de venda da participação do banco na JBS, Montezano não deu detalhes. A Reuters publicou essa semana que o banco começou a contratar bancos para coordenar a venda de papéis da JBS.

No ano até o final de setembro, o lucro liquido do BNDES foi de R$ 16,5 bilhões, aumento de quase 160% em relação ao mesmo período do ano passado.

Segundo Montezano, o resultado do banco no ano é explicado pela melhor performance da carteira de ações, que de janeiro a setembro acumulou um ganho de R$ 8,9 bilhões, alta de 155,8%.

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