Com aporte de R$ 1,4 bilhão, Itaúsa terá 49% de compradora da Liquigás

Contrato para a venda de subsidiária da Petrobras à Copagaz foi assinado nesta terça (19)

Rio de Janeiro

A Petrobras assinou nesta terça (19) contrato de venda da distribuidora de gás de cozinha Liquigás para consórcio liderado pela Copagaz por R$ 3,7 bilhões. Para viabilizar o negócio, a Itaúsa fará aporte de R$ 1,4 bilhão na compradora, que deve assumir a liderança do mercado após a operação.

O negócio ainda depende de aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que vetou a primeira tentativa de venda da subsidiária da Petrobras ao grupo Ultra, em operação de R$ 2,8 bilhões. Para evitar novo fracasso, a Copagaz deve dividir parte das operações com a concorrente Nacional Gás Butano.

Em comunicado ao mercado, a Itaúsa informou que, após o aporte, ficará com 49% da Copagaz, empresa que hoje ocupa a quarta colocação no ranking das maiores distribuidoras de gás de cozinha no país. O controle permanecerá com a família de Ueze Zahran, fundador da distribuidora.

A Nacional Gás Butano terá uma participação minoritária na Liquigaz até a aprovação final do negócio. Depois, assumirá ativos em regiões onde a Copagaz já é líder, evitando questionamentos pelos órgãos de defesa da concorrência.

Contrato para a venda de subsidiária da Petrobras à Copagaz foi assinado nesta terça (19) - Gabo Morales-12.nov.12/Folhapress

Segundo estimativas do mercado, a Copagaz elevará sua participação no mercado dos atuais 9% para cerca de 27%, ultrapassando a líder Ultragaz, que passará a disputar a vice-liderança com a Nacional Gás Butano. A Petrobras sai definitivamente do setor.

Também em nota, a estatal disse que a venda da Liquigás está alinhada com seu plano de venda de ativos e esforços para otimizar o portfólio de negócios para reduzir dívidas e investir no pré-sal. O plano inclui a saída de setores considerados não estratégicos e a redução da presença em refino e gás.

Em evento nesta terça, o diretor de Relacionamento Institucional da Petrobras, Roberto Ardenghy, defendeu a venda de ativos como estratégia para focar em segmentos mais rentáveis. "Estamos selecionando projetos e setores onde temos mais condições de gerar valor", afirmou.

Até setembro, a empresa contabilizava US$ 15,3 bilhões (cerca de R$ 63 bilhões, ao câmbio atual) em ativos vendidos no ano. As duas maiores operações foram a venda da empresa de gasodutos TAG e a segunda oferta de ações da BR Distribuidora.

Ardenghy disse que a empresa já iniciou a fase vinculante para a venda de quatro refinarias, com "quantidade positiva de empresas interessadas". Nessa fase, os interessados têm acesso aos dados financeiros e operacionais dos ativos.

O plano da estatal é vender oito de suas 13 refinarias, reduzindo à metade a participação na capacidade de produção de combustíveis no país.

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