Com megaleilão do pré-sal e pacote de Guedes, dólar cai para R$ 3,99

Ações da Petrobras recuam na véspera do leilão e Bolsa fecha estável

São Paulo

O dólar voltou a fechar abaixo de R$ 4 nesta terça-feira (5). A cotação da moeda americana recuou 0,5%, a R$ 3,993, menor valor desde a última quarta (30). Dentre os emergentes, o real foi a segunda divisa que mais se valorizou na sessão, atrás apenas do peso colombiano. 

Pela manhã, o dólar chegou a subir para R$ 4,02, mas perdeu força e operou estável até o início da tarde, com o anúncio do pacote de medidas do ministro da Economia Paulo Guedes.

Além disso, analistas apontam que o megaleilão do pré-sal desta quarta (6) trará uma grande entrada de dólares no país que pode desvalorizar a cotação.

O pacote de Guedes, batizado de Plano mais Brasil, traz um conjunto de propostas para dar maior flexibilidade ao Orçamento, ações para elevar os repasses de recursos a estados e municípios (pacto federativo), além da revisão de cerca de 280 fundos públicos.

Há também a chamada PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da emergência fiscal, que institui gatilhos para conter gastos públicos em caso de crise orçamentária da União ou de entes subnacionais.

O mercado vê as medidas como positivas, mas não acredita que elas sejam aprovadas ainda este ano.

"O desafio continua sendo político. O governo precisa de foco para fazer avançar as propostas", destaca relatório da XP Investimentos.

Apesar da recepção positiva, a Bolsa fechou estável, a 108.719 pontos. O giro financeiro foi de R$ 20,5 bilhões, acima da média diária para o ano.

Apesar do bom desempenho de bancos e da Vale, as ações da Petrobras tiveram forte queda antes do megaleilão do pré-sal.

As ações preferenciais, mais negociadas, da companhia caíram 2,33%, a R$ 29,65. As ordinárias, com direito a voto, recuaram 1,3%, a R$ 32,55. 

Analistas temem que a empresa fique muito endividada após o leilão. A Petrobras decidiu exercer o direito de preferência para operar duas áreas do mega leilão, que representa um gasto de ao menos R$ 21 bilhões para adquirir fatia de 30% em cada área.

A queda da JBS também pressionou o índice. As ações da companhia caíram 3,86%, a R$ 28,07 após pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras, de rescindir a imunidade de Joesley Batista, Wesley Batista.

Já o risco-país teve leve alta na sessão. Na segunda (4), o CDS (Credit Default Swap) de cinco anos foi a 115 pontos, menor patamar desde abril de 2013. Nesta terça (5), o índice subiu 0,56% e foi a 116 pontos, ainda menor patamar desde 2013.

No exterior, o viés foi misto. Em Nova York, S&P 500 caiu 0,12%, enquanto Dow Jones subiu 0,11%. O cenário continua otimista, com Estados Unidos e China próximos de celebrar a 'fase 1' do acordo comercial.

Integrantes do governo americano, inclusive, estão debatendo se devem revogar algumas tarifas sobre bens chineses como concessão para selar um acordo parcial que poderia resultar em uma pausa na guerra comercial já a partir deste mês.

De acordo com o Financial Times, a Casa Branca está estudando retirar as tarifas sobre US$ 112 bilhões em produtos importados da China —entre os quais roupas, eletrodomésticos e monitores de telas planas—, adotadas em 1º de setembro com uma alíquota de 15%.

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