Dólar tem maior alta semanal desde agosto de 2018 com soltura de Lula

Bolsa cai 1,8% e perde os 108 mil pontos

São Paulo

Com a soltura de Lula, a Bolsa de valores brasileira teve forte queda de 1,8% nesta sexta-feira (8) e perdeu os 108 mil pontos. A cotação do dólar disparou e subiu 1,8%, a R$ 4,168, maior valor desde 17 de outubro. Dentre emergentes, o real foi a moeda que mais de desvalorizou na sessão, que também foi negativa para o mercado financeiro global.

Na semana, a moeda americana acumula alta de 4,25%, a maior alta semanal desde agosto de 2018, quando a cotação subiu 4,8% e foi a R$ 4,10. Na época, investidores temiam que a intenção de votos para Lula pudesse ser transferida a Fernando Haddad (PT-SP), que assumiu seu posto na corrida eleitoral.

Assim como hoje, a guerra comercial entre China e Estados Unidos também pressionava a cotação da moeda.

Painel do Ibovespa com números vermelhos retrata queda da Bolsa
A Bolsa de valores perde os 108 mil pontos com a soltura de Lula - Daniel Marenco/Folhapress

Analistas apontam que a cena política do país deve ficar mais instável com Lula em liberdade. No entanto, grande parte do mercado financeiro é tímido ao comentar a saída do petista da prisão e não se sente confortável para avaliar o evento.

Para o sócio fundador da Vitreo, George Wachsmann, a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal)  barrar a prisão de condenados logo após a segunda instância, e dar brecha para a liberdade de Lula, "é andar para trás e aumenta a insegurança jurídica no país e com certeza vai trazer barulho político".

Além da liberdade do líder petista, o Wachsmann aponta que o dólar segue pressionado pelo fracasso do megaleilão do pré-sal, que, diferente do esperado, não teve adesão de empresas estrangeiras.

“O principal ponto é sensação de insegurança jurídica para estrangeiro, que afasta investimentos, e a medida do STF aumenta essa insegurança. Depois temos a preocupação de que Lula unifique a oposição para fazer frente a agenda de reformas atual no Congresso,  apesar de ser uma possibilidade remota”, afirma Victor Beyruti, economista-chefe da Guide Investimentos.

"Na nossa visão, para as condições de aprovação da agenda de reformas, Lula livre é mais negativo que Lula preso. Porém, apesar do petista poder criar fatos e tumultuar o ambiente, o governo tem elementos e ferramentas para neutralizar o apelo desse discurso. E, nesse caso, uma melhora das condições econômicas também ajudariam.

Na seara eleitoral, a decisão de agora, embora abra espaço para contestações futuras, não altera a inelegibilidade do ex-presidente. A contenda de 2022 ainda está distante e veremos muitas peças se movimentando até lá. Podemos ver até outras decisões que podem devolvê-lo à prisão, mas Lula livre em período eleitoral continua a ter peso significativo – só lembrar a confusão que levou o desconhecido Haddad ao segundo turno e deu a ele mais de 45% dos votos", aponta relatório da XP Investimentos.

A queda da Bolsa e alta do dólar desta sessão também se devem a uma piora na guerra comercial. O presidente americano Donald Trump disse nesta sexta-feira que os Estados Unidos não concordou em retirar as tarifas impostas à China. Autoridades de ambos os países afirmaram na quinta (7) que parte das tarifas seriam retiradas com a 'fase 1' do acordo comercial, que deve ser assinado até o final do ano.

Além disso, o processo de impeachment de Trump avança na Câmara americana, com a divulgação de transcrições de depoimentos fornecidos por diplomatas americanos à investigação sobre a eventual pressão de Tump  para que a Ucrânia a investigasse seus rivais políticos domésticos.

Em Nova York, os índices Dow Jones e S&P 500 fecharam estáveis. Na Europa, a Bolsa de Londres teve queda de 0,6% e de Frankfurt, de 0,46%. 

No Brasil, o Ibovespa caiu 1,8%, a 107.629 pontos. O volume negociado foi de R$ 20 bilhões, acima da média diária para o ano.

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