Ex-presidente da Braskem é preso sob acusação de corrupção nos EUA

José Carlos Grubisich foi acusado de conspiração por violar lei de corrupção e também para lavagem de dinheiro

São Paulo

O ex-presidente da Braskem José Carlos Grubisich foi preso nesta quarta-feira (20) em Nova York sob acusações federais de corrupção, de acordo com uma autoridade americana.

Segundo a autoridade ouvida pela agência Reuters, o executivo foi detido no aeroporto John F. Kennedy, em Nova York, e era esperado que ele comparecesse a uma corte federal no Brooklyn ainda nesta quarta-feira (20).

Grubisich foi acusado de conspiração por violar uma lei de corrupção estrangeira dos EUA, por lavagem de dinheiro e por ter supostamente participado de um esquema de propinas para conseguir e manter contratos governamentais, de acordo com a Bloomberg.

Na acusação, os promotores dizem que Grubisich e outros funcionários da Braskem e da Odebrecht participaram de uma conspiração para desviar cerca de US$ 250 milhões (o equivalente hoje a R$ 1,05 bilhão) para um fundo secreto, que foi usado em parte para subornar funcionários. O esquema teria ocorrido entre 2002 e 2014, de acordo com o indiciamento.

José Carlos Grubisich, ex-presidente da Braskem, é preso por acusações de corrupção nos EUA
José Carlos Grubisich, ex-presidente da Braskem, é preso por acusações de corrupção nos EUA - Victor Moriyama - 20.out.2012/Folhapress

Como presidente da Braskem, Grubisich teria ajudado a encobrir o esquema, falsificando os livros da empresa e assinando certificações falsas à SEC (órgão regulador do mercado de capitais americano), disseram promotores americanos à Reuters.

Procurado, o advogado Alberto Zacharias Toron, que defende José Carlos Grubisich, afirmou que o executivo foi surpreendido com a prisão.

"Há acusações absolutamente inéditas, novas. Os fatos em princípio têm a ver com práticas ocorridas no Brasil, investigadas pela Lava Jato, em relação às quais ele [Grubisich] nunca foi denunciado", disse à Folha

"Ele já constituiu advogado para acompanhar o processo nos Estados Unidos e sua prisão, similar à nossa preventiva, decorre do fato de ser estrangeiro, o que causa estranheza, já que ele não responde no Brasil pelos fatos que lhe são imputados pela corte americana", disse em nota o advogado.

Segundo Toron, o executivo teve a fiança foi negada por ser estrangeiro. "Os advogados [americanos que defendem Grubisich] vão providenciar o necessário para tentar implementar a fiança e (...) se necessário, irei aos Estados Unidos mais para frente", afirmou.

O ex-presidente da petroquímica Braskem liderou a companhia entre 2002 e 2008. Chefiou as operações também a produtora de etanol Atvos. Ambos os negócios eram controlados pela Odebrecht, onde o executivo trabalhou de 2001 a 2012.

Hoje, a Odebrecht tem 38,3% da Braskem, enquanto a Petrobras tem 36,1%. Os 25,5% restantes estão nas mãos de minoritários.

​Grubisich fez parte do pequeno grupo de pessoas de confiança com direito a ações da Odebrecht Investimentos, a holding que controla as empresas do conglomerado.

 

O executivo trabalhou para a Odebrecht numa fase de acelerada expansão e saiu dois anos antes da deflagração da Operação Lava Jato, que expôs o grupo como centro de um gigantesco esquema de corrupção e o empurrou para a grave crise financeira atual. 

Ele liderou a consolidação dos ativos da Odebrecht no setor petroquímico e várias aquisições feitas após a formação da Braskem, e esteve à frente da produção de etanol nos anos em que o negócio ainda parecia promissor para a Odebrecht. A Atvos pediu recuperação judicial em junho de 2019. 

Grubisich se desligou do grupo para presidir a Eldorado, indústria de celulose da família Batista, controladora da JBS, maior processadora de carnes do mundo. Ele deixou a Eldorado em 2017, quando os Batistas decidiram vendê-la à Paper Excellence.

Conforme reportagem da Folha de junho deste ano, o executivo decidiu recorrer à Justiça para cobrar do grupo Odebrecht uma dívida superior a R$ 28 milhões, no momento em que o conglomerado enfrenta a mais grave crise financeira de sua história.

O valor cobrado corresponde às duas últimas parcelas de um acerto que ele fez ao se desligar do grupo, quando vendeu suas ações aos controladores e aceitou que o pagamento fosse feito em seis parcelas anuais, no valor total de R$ 86 milhões. As ações de Grubisich representavam 0,5% do capital da holding.

Braskem e Odebrecht concordaram em 2016 em pagar US$ 3,5 bilhões combinados em um acordo com autoridades norte-americanas, brasileiras e suíças para resolverem alegações de que participaram de atos de corrupção no Brasil e em outros lugares para garantirem contratos lucrativos.

Tanto a Braskem quanto a Odebrecht se declararam culpadas de acusações criminais norte-americanas como parte do acordo, que emergiu da operação Lava Jato.

Com agências de notícias

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