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Lula morde isca de Bolsonaro e Guedes ao atacar economia

Discurso vem quando país inicia retomada após destruição deixada por Dilma

São Paulo

Em São Bernardo do Campo no sábado (9), o ex-presidente Lula evocou a “destruição” das estatais e dos empregos da população mais jovem, além da recém aprovada reforma da Previdência, como bases do “projeto econômico que vai empobrecer ainda mais a sociedade brasileira”.

Citando nominalmente grandes empresas e bancos, Lula sugeriu a existência de um conluio entre as classes dominantes e o governo de Jair Bolsonaro (PSL) contra o povo mais humilde. 

Disse ainda que a queda dos juros não chegou ao bolso dos trabalhadores e que o atual governo está tirando dinheiro da área social —numa referência ao teto de gastos.

Para refrescar a memória:

1) As empresas estatais que dependem de dinheiro do Tesouro para funcionar (que dão prejuízo) mais que dobraram seus quadros de funcionários em 12 anos, a maior parte nas gestões petistas. 

De 2006 a 2017, o pessoal efetivo passou de 35 mil para 74 mil —um aumento de 114%, segundo o Ministério do Planejamento.

Já as três principais estatais —Petrobras, Eletrobras e Banco do Brasil— acumularam perdas de R$ 274 bilhões em valor de mercado no governo Dilma Rousseff;

2) Dados da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia revelam que a recuperação do emprego formal tem sido puxada por jovens de até 29 anos —e concentrada nos até 24 anos. Nos últimos 12 meses, 1,1 milhão de jovens foram contratados com carteira assinada; e a isso se deve o saldo geral positivo de 478 mil vagas em 12 meses.

Grande parte do desemprego atual é resultado do desequilíbrio fiscal deixado por Dilma. Entre 2014 e 2015, ainda em seu governo, houve um salto recorde de 38% no total de desempregados, que chegaram a 10 milhões; 

3) Até a reforma da Previdência, os brasileiros que estão entre os 20% mais ricos eram os maiores beneficiados pelo sistema. A cada R$ 100 gastos pela Previdência, R$ 40 ficavam com essa camada no topo da distribuição de renda; os 20% mais pobres recebiam apenas R$ 3 do bolo;

4) O Brasil gastará neste ano cerca de R$ 300 bilhões em incentivos fiscais, a maior parte criada pelos governos do PT, que também se aliaram a grandes empresas, os chamados “campeões nacionais”.

Em nove anos (2007 a 2016), o BNDES desembolsou R$ 1,2 trilhão (43 vezes o Bolsa Família) em empréstimos a empresas como a Oi, que entrou em recuperação judicial, e o grupo de Eike Batista;

5) Além de os juros do cheque especial e do cartão de crédito também terem se mantido em níveis pornográficos nos governos petistas, o chamado teto dos gastos foi criado pelo ex-banqueiro Henrique Meirelles, presidente do Banco Central durante toda a gestão Lula.

À época, foi o mecanismo possível para tentar interromper a trajetória explosiva da dívida pública, hoje em 80% do PIB (maior entre os emergentes) e resultado do descontrole fiscal da era Dilma.

Como pontos positivos para o discurso de Lula em São Bernardo, entre 2003 e 2015, anos do PT no poder, o emprego formal privado saltou de 23 milhões para quase 40 milhões e o Brasil acumulou cerca de US$ 380 bilhões em reservas cambiais.

Durante boa parte do período, o Brasil foi beneficiado por um forte aumento dos preços internacionais das commodities que exporta. 

Entre 2001 e 2010, os termos de troca do país (relação entre preços de exportações e importações) aumentaram 25%, fazendo com que, por exemplo, nosso minério de ferro comprasse proporcionalmente mais máquinas de fora.

Isso possibilitou importar mais produtos e tecnologia. Assim, a produtividade no período cresceu 15% e a renda, 32%, segundo cálculos do economista Naercio Menezes, do Insper.

Muitos desses ganhos foram direcionados a políticas distributivas, que melhoraram sensivelmente a situação dos mais pobres.

Lula também foi responsável fiscalmente, entregando superávits seguidos para controlar a dívida pública em sua gestão, o que aumentou a confiança do setor privado na economia.

Tudo isso forma uma boa explicação para a popularidade com que Lula deixou a Presidência: 83% de ótimo e bom, segundo o Datafolha.

O governo Bolsonaro tem aspectos violentos e desagradáveis de sobra para que o petista recalcule o discurso da oposição, como quando falou das milícias e perguntou pelo paradeiro de Fabrício Queiroz.

Mas Lula parece ter mordido a isca de Bolsonaro e Paulo Guedes ao atacar justamente a economia, que finalmente entra em fase de recuperação após a destruição deixada por Dilma.

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