Bradesco projeta crescimento de 2,5% e câmbio de R$ 4 em 2020

Para o próximo ano, banco aposta em melhoria no nível do emprego e do tipo de vaga criada

São Paulo

O Departamento de Pesquisas Econômicas do Bradesco revisou as projeções de crescimento da economia de 0,9% para 1,2% em 2019 e de 2,2% para 2,5% em 2020.

A instituição manteve a expectativa de queda na taxa básica de juros dos atuais 5% ao ano para 4,5% em dezembro deste ano e 4,25% no início de 2020, com inflação em 3,6% nesses dois períodos.

A estimativa para a taxa de câmbio no final do período é de R$ 4,15 em 2019 e R$ 4,00 em 2020.

“Um vetor importante para o câmbio vai ser o crescimento da economia. Isso ajuda a atrair dinheiro para projetos que serão rentáveis. Depois que o PIB [Produto Interno Bruto] foi divulgado, o câmbio já apreciou um pouco, o que confirma a nossa tese”, afirmou o economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato. “Esse vetor [crescimento] deve ganhar peso em relação ao diferencial de juros [entre o Brasil e os EUA].”

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Para Fernando Honorato, economista-chefe do Bradesco, melhora no nível do emprego só aparecerá em 2020 - Egberto Nogueira/Divulgação

Ao falar sobre fatores que podem ajudar a consolidar um crescimento mais forte, Honorato afirmou esperar pelo menos uma elevação na nota de crédito do Brasil em 2020 e disse esperar uma redução no diferencial de desempenho entre indústria e varejo. Ele estima que a produção industrial volte a crescer no próximo ano, de modo a atender ao aumento de demanda do varejo.

“O Brasil é um dos países que mais vão acelerar o crescimento em 2020”, disse o economista ao citar as projeções do FMI (Fundo Monetário Internacional). 

Sobre mercado de trabalho, ele afirmou que a taxa de desemprego está alta e vai permanecer assim por muito tempo, mas, em 2020, deve haver uma transição do emprego informal para o formal, o que deve contribuir para melhorar a confiança e o consumo.

A instituição estima que o desemprego feche o ano em 11,9% e recue para 11,4% no próximo.

As projeções do Bradesco mostram crescimento do PIB de 0,7% no quarto trimestre de 2019 e expansões trimestrais em 2020 de 0,5%, 0,6%, 0,8% e 0,8%.

Honorato afirmou que o maior risco para a consolidação do crescimento de 2,5% no próximo ano vem do cenário externo, relacionado a questões como Argentina, guerra comercial EUA-China e crescimento mundial. Em segundo lugar, estaria o risco de o período pós-liberação do FGTS não mostrar uma economia tão dinâmica quanto o estimado.

“É difícil não crescer pelo menos 1,7%, 1,8%, quando se olha o ritmo dos últimos trimestres”, afirmou.

A agência de classificação de risco Fitch Ratings também elevou nesta sexta-feira (6) as projeções para o PIB brasileiro. A empresa projeta um crescimento de 1,1% para 2019, ante a estimativa anterior de 0,8%, e de 2,2% para 2020, ante 2%.

Em comunicado, a companhia afirmou que "as revisões foram guiadas por um PIB do terceiro trimestre melhor que o esperado". A agência também destaca que o consumo foi impulsionado por um forte crescimento do crédito e pela liberação do FGTS, enquanto o crescimento no investimento veio da construção civil e produção de bens de capital. 

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