Declarações de Bolsonaro e aliados sobre queimadas e AI-5 afastam investidores, diz Maia

Para presidente da Câmara, falas geram insegurança e prejudicam o próprio governo

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Brasília

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta quinta-feira (19) que declarações sobre o AI-5 e sobre queimadas na Amazônia dadas pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e membros do governo afugentam investidores e diminuíram crescimento do país em 2019. 

"É ruim para o governo, né? Fica falando de AI-5, fica falando de queimada, aí o investidor não coloca dinheiro no Brasil. Aí a economia ia crescer 2,5% este ano e vai crescer 1%, para mim culpa dessas declarações", afirmou. 

"E se continuar com essas declarações, ano que vem que pode crescer 2,5% também vai crescer menos. É uma questão de bom senso", disse durante reunião com jornalistas na residência oficial da Câmara. 

Questionado sobre se em algum momento teve medo de que o governo passasse a ter uma postura mais autoritária, para além de declarações como a de Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e Paulo Guedes (Economia) sobre um "novo AI-5", Maia disse que nunca viu essa possibilidade. 

Jair Bolsonaro e Rodrigo Maia (DEM-RJ) ao deixar a Câmara dos Deputados após entregar o PL da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) - André Coelho - 4.jun.19/Folhapress

Apesar disso, disse que as declarações geram insegurança e prejudicam o próprio governo. 

"Há um compliance de muitas empresas de que o tema 'meio ambiente' é relevante, democracia é relevante. Não há nenhum do presidente que vá ao encontro do que disse o Eduardo e do que disse o Paulo Guedes, mas é o filho e o ministro da Economia, então vai gerando insegurança", afirmou. "Atrapalha o Brasil, óbvio, mas atrapalha também o governo do próprio presidente." 

"Com a queda da taxa de juros e a inflação, você tem um espaço enorme, como já está acontecendo internamente, de sair do mercado de renda fixa e caminhar para o mercado de capitais", disse. 

"Isso já está acontecendo com dinheiro de brasileiros, os estrangeiros para valer não entraram com dinheiro novo. Essas declarações atrasam a entrada", disse. 

Em entrevista à jornalista Leda Nagle, em outubro, o deputado Eduardo Bolsonaro afirmou que "se a esquerda brasileira "radicalizar", uma resposta pode ser "via um novo AI-5". Um dia depois, ele disse que foi "um pouco infeliz" na declaração.

Em novembro, Guedes afirmou que não é possível se assustar com a ideia de alguém pedir o AI-5 diante de uma possível radicalização dos protestos de rua no Brasil.

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