Exportações de alumínio do Brasil para os EUA pagam sobretaxa desde 2018

EUA representam 43% das exportações de semimanufaturados e manufaturados de alumínio

São Paulo

As exportações de produtos de alumínio brasileiro aos EUA já pagam sobretaxa desde 1º de junho de 2018, de acordo com a Abal (Associação Brasileira do Alumínio).

Nesta segunda-feira (2), o presidente Donald Trump, em seu perfil no Twitter, afirmou que os EUA irão impor tarifas sobre as importações de aço e alumínio procedentes de Brasil e Argentina, por avaliar que os dois países desvalorizaram fortemente suas moedas, o que prejudicaria os agricultores norte-americanos.

Em março de 2018, Trump estabeleceu tarifas sobre o aço e o alumínio importados pelos EUA, incluindo o Brasil na lista de países prejudicados.

No caso do aço, a tarifa imposta inicialmente era de 25%. Mas o Brasil negociou e trocou por cotas equivalentes à média das exportações de 2015 a 2017, no caso dos aços semiacabados (80% das vendas) e limitados a cota de 70% da média dos três anos no caso dos aços acabados. O alumínio ficou com a sobretaxa de 10%.

Em nota em que comenta a informação, o presidente-executivo da Abal, Milton Rego, diz que, no ano passado, o governo Trump abriu a possibilidade de substituir a sobretaxa por cotas limitadas de exportação.

“Na época, optamos pela sobretaxa e seguimos assim desde então”, diz o comunicado.

Segundo dados da Abal, os EUA representam 43% das exportações brasileiras de semimanufaturados e manufaturados de alumínio.

No período de janeiro a outubro de 2019, foram vendidos no mercado norte-americano 52 mil toneladas de produtos de alumínio. Desse total, 47 mil toneladas são de produtos sobretaxados em 10%.

Também em nota, o Instituto Aço Brasil diz que recebeu com perplexidade o anúncio feito pelo presidente dos EUA e que a decisão acaba por prejudicar a própria indústria produtora de aço americana, que necessita dos semiacabados exportados pelo Brasil para poder operar as suas usinas.

“O Instituto Aço Brasil reforça que o câmbio no país é livre, não havendo por parte do governo qualquer iniciativa no sentido de desvalorizar artificialmente o real e a decisão de taxar o aço brasileiro como forma de ‘compensar’ o agricultor americano é uma retaliação ao Brasil, que não condiz com as relações de parceria entre os dois países”, diz o instituto.

Procurada, a Fiesp não se manifestou até a publicação deste texto.
 

Veja a íntegra das notas

Com relação a manifestação do presidente norte-americano, Donald Trump, pelo Twitter, na manhã desta segunda-feira, 02/12, em que afirma querer retomar a sobretaxa às exportações do alumínio brasileiro, a Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), esclarece: desde 1º de junho de 2018, as exportações de produtos de alumínio brasileiro aos Estados Unidos pagam sobretaxa. Esse acerto foi ratificado no ano passado com governo Trump, quando este abriu a possibilidade de substi-tuir a sobretaxa por cotas limitadas de exportação. Na época, optamos pela sobre-taxa e seguimos assim desde então.

A ABAL esclarece ainda que, exceto pela manifestação do presidente Trump pelo Twitter, não há nenhuma posição oficial do governo norte-americano em relação ao assunto, que seguimos acompanhando atentamente.

Milton Rego, presidente executivo da ABAL

O Instituto Aço Brasil recebe com perplexidade a decisão anunciada hoje (02) pelo presidente dos EUA, Donald Trump, de restaurar as tarifas de importação de aço e alumínio provenientes do Brasil e da Argentina, sob o argumento de que estes países têm liderado uma desvalorização maciça de suas moedas, e que isso não é bom para os agricultores dos EUA.

O Instituto Aço Brasil reforça que o câmbio no País é livre, não havendo por parte do governo qualquer iniciativa no sentido de desvalorizar artificialmente o Real e a decisão de taxar o aço brasileiro como forma de “compensar” o agricultor americano é uma retaliação ao Brasil, que não condiz com as relações de parceria entre os dois países. Por último, tal decisão acaba por prejudicar a própria indústria produtora de aço americana, que necessita dos semiacabados exportados pelo Brasil para poder operar as suas usinas.

Instituto Aço Brasil
 

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