Descrição de chapéu The Wall Street Journal

Fiat Chrysler e Peugeot assinam acordo de fusão para criar 4ª maior montadora do mundo

União pretende criar uma gigante automobilística de R$ 203 bilhões

Paris | The Wall Street Journal

A Fiat Chrysler Automobiles e a PSA, controladora da Peugeot, chegaram a um acordo definitivo de fusão que inclui incentivos para tornar a transação mais atraente para as autoridades regulatórias dos Estados Unidos e os acionistas da companhia francesa.

As duas companhias anunciaram nesta quarta-feira (18) ter assinado um acordo de combinação que define os termos financeiros da transação e a estrutura de governança corporativa da empresa a ser criada pela fusão.

A decisão representa um passo importante para solidificar a fusão anunciada em outubro. A união pretende criar uma gigante automobilística de US$ 50 bilhões (R$ 203 bilhões) que seria uma das maiores companhias da indústria automobilística mundial pelo critério de vendas.

Em comunicado, o grupo informou que a nova sede terá base na Holanda e será listada na Euronext (Paris), na Bolsa Italiana (Milão) e na Bolsa de Valores de Nova York.

O acordo surge em um momento de pressões de custo crescentes no negócio mundial de carros, dados o investimento de bilhões de dólares pelas montadoras em novas tecnologias, como a dos carros elétricos, e a queda da demanda por carros e caminhões nos principais mercados automobilísticos mundiais.

Logos da Fiat e da Peugeot - Regis Duvignau/Reuters

Entre os termos acrescentados ao acordo nas últimas semanas está um acordo para que a estatal chinesa de automóveis Dongfeng Motor Group venda parte dos 12,2% de participação que tem na PSA de volta à montadora francesa, e que a Fiat Chrysler promova a cisão de sua divisão Comau de automação industrial depois da fusão.

O The Wall Street Journal noticiou na terça-feira que os conselhos de ambas as empresas haviam aprovado o acordo e os novos termos acrescentados nas últimas semanas.

A transação –que deve ser concluída nos próximos 12 a 15 meses– criará uma montadora de automóveis com vendas de 8,7 milhões de veículos por ano, e receita de quase € 170 bilhões (R$ 766 bilhões), anunciaram as empresas. A fusão não resultará em fechamento de fábricas e conduzirá a uma economia anual de custos da ordem de € 3,7 bilhões (R$ 16,6 bilhões), elas acrescentaram. O nome da companhia a ser criada pela fusão não foi decidido até agora.

 

“Os desafios de nosso setor são muito, muito significativos”, disse Carlos Tavares, o presidente-executivo da PSA. “Estamos fazendo isso porque acreditamos que seremos mais fortes para encarar os futuros desafios do setor dessa forma do que se continuarmos sozinhos”.

A decisão da Dongfeng de reduzir sua participação na PSA foi adotada para ajudar a transação a obter aprovação do Comitê de Investimento Estrangeiro do Estados Unidos, que deve avaliar a transação em um período de tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China, disseram pessoas informadas sobre a decisão. A Dongfeng terminará com uma participação de cerca de 4,5% na companhia combinada, e não terá direito a um assento no conselho.

Os dois lados também alteraram o acordo para que a divisão Comau da Fiat Chrysler, que desenvolve tecnologia de robótica para uso na fabricação de veículos, seja cindida depois da conclusão da transação, e não antes, como previsto no acordo original. Isso permitirá que os acionistas da PSA e da Fiat Chrysler se beneficiem da venda da divisão Comau, avaliada pelo banco de investimento Jefferies em cerca de € 250 milhões (R$ 1,12 bilhões).

Agora que o acordo de fusão está assinado, as companhias necessitarão de aprovações das autoridades regulatórias dos Estados Unidos e da Europa para ir em frente. Também precisarão da anuência de diversas autoridades bancárias, porque as companhias controlam subsidiárias de financiamento em diversos locais do planeta. 

Os acionistas da PSA e os da Fiat Chrysler também precisam aprovar a transação em uma votação, que deve ocorrer no final do ano que vem. As companhias anunciaram na quarta-feira que os quatro maiores acionistas da nova entidade haviam todos prometido votar em favor do acordo. Em comunicado, a companhia informou que nenhum acionista terá o poder de exercer mais de 30% do total de votos expressos nas Assembleias Gerais. Também está previsto que não haverá transferência dos direitos de voto duplo existentes, mas que serão concedidos novos direitos de voto duplo após o período de três anos da finalização da fusão.

A proposta original delineava termos sob os quais a Fiat Chrysler pagaria um dividendo especial de 5,5 bilhões de euros aos seus acionistas. Em comparação, a PSA distribuiria aos acionistas da empresa sua participação de 46% na fabricante de autopeças Faurecia, avaliada em três bilhões de euros. A diferença de valor gerou preocupações entre os investidores na PSA, que acreditavam não estar recebendo termos tão bons quanto os oferecidos aos acionistas da Fiat Chrysler.

Ao averiguar a proposta de fusão, os advogados da PSA revisaram um recente processo judicial aberto pela rival americana General Motors, que acusou a Fiat Chrysler de subornar funcionários de sindicatos nos Estados Unidos para obter vantagens nos custos trabalhistas. Os advogados concordaram com a avaliação da Fiat Chrysler de que o processo não tinha mérito e decidiram que ele não representava grande obstáculo para o acordo, disseram pessoas próximas à montadora francesa.

“Com sorte [o processo] cairá em breve, e se isso não acontecer nos defenderemos vigorosamente no futuro”, disse Mike Manley, presidente-executivo da Fiat Chrysler.

As autoridades regulatórias dos Estados Unidos provavelmente veriam dificuldade na participação acionária da Dongfeng na PSA, e em seu direito a um assento no conselho da empresa, ao revisar o acordo, especialmente por conta do foco do governo Trump na indústria automobilística e no roubo de propriedade intelectual pelos chineses, disse John Kabealo, advogado cujo escritório é especialista em negócios relacionados a questões de segurança nacional.

O Departamento do Tesouro americano, que responde pela comunicação entre o Comitê de Investimento Estrangeiro e a imprensa, se recusou a comentar, dizendo apenas que não oferece informações sobre a revisão de fusões especificas, ou sobre solicitações dessas revisões por empresas, disse uma porta-voz.

Se concluída, a fusão criaria a quarta maior fabricante de automóveis do planeta pelo critério de vendas, unindo a controladora de marcas como Dodge, Ram, Jeep e Alfa Romeo a um conjunto de marcas que inclui Peugeot, Citroën, Opel e Vauxhall. A nova companhia produzirá quase tantos carros na Europa quanto a Volkswagen, a maior montadora de automóveis do continente, e terá grande presença nos Estados Unidos e América do Sul.

As duas companhias haviam anunciado anteriormente que John Elkann, presidente do conselho da Fiat Chrysler, será o presidente do conselho da companhia criada pela fusão, e que Tavares, da PSA, será o presidente-executivo, com mandato de cinco anos.
 

The Wall Street Journal, tradução de Paulo Migliacci

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