IGP-M, que reajusta aluguel, tem maior alta em 17 anos

Disparada da carne faz índice subir 2,09% em dezembro e fechar 2019 em 7,30%

São Paulo

O IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado), indicador de inflação que regula os aluguéis imobiliários, medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), subiu 2,09% em dezembro. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (27) pela FGV.

Esta é o maior salto desde fevereiro de 2003, no início do primeiro governo Lula, quando o índice teve alta de 2,28%.

Em novembro, a taxa ficou em 0,30%. No acumulado de janeiro a dezembro deste ano, o índice registrou alta de 7,30%, menor que os 7,54% acumulados em 2018. 

A alta no ano é quase o dobro da registrada pelo IPCA-15, prévia da inflação oficial, que ficou em 3,91%.
 

O IGP-M é composto por três indicadores, o IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo), o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) e o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção).

Segundo o coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da FGV, André Braz, metade da alta do IGP-M de dezembro se deve ao aumento no custo da proteína, tanto dos animais no pasto, quanto da carne no frigorífico.

Com a alta demanda da China, o preço da arroba do boi bateu recorde ao fim de novembro, a R$ 228,80 no estado de São Paulo.

"O restante da alta é fruto do aumento sazonal do preço de alimentos in natura e combustíveis, com revisões da Petrobras. A alta do dólar também impacta ambos, pela cotação internacional", afirma Braz.

Ele aponta que em relação ao período anterior, a cotação média do dólar teve alta de 2% em dezembro.

A Petrobras ajustou a gasolina duas vezes em dezembro. O último aumento foi de 2%, em média. Somado aos demais aumentos do ano, o preço do combustível acumula alta de 31% em 2019. O diesel teve três aumentos desde o fim de novembro, com alta acumulada de 6,3%. 

“Por ser atrelado ao dólar, o IGP-M era utilizado como base para reajuste de aluguéis na época da hiperinflação, mas não faz mais sentido hoje", diz Alan Ghani, professor de economia do Insper.

Ele explica que cerca de 60% do índice mede os preços de atacado ao produtor, ou seja, matérias-primas agrícolas e produtos industriais.

"Esses itens estão mais sujeitos ao choque do câmbio, pois seguem cotações internacionais, mas preço de máquina agrícola e industrial não tem nada a ver com o consumidor, não mede o aumento no poder de consumo das pessoas. O ideal seria utilizar o IPCA [Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, do IBGE]", afirma Ghani.

O locatário, no entanto, deve ter um reajuste ancorado no índice da FGV, aponta o professor. 

"Não tem como fugir, ainda mais agora com a economia em recuperação, em que o mercado imobiliário tem dado sinais de forte recuperação, com a construção civil melhorando. Em momentos de crise proprietário até aceita reajuste menor, não é o caso", diz o professor.

Segundo a FGV, o IPA do IGP-M de dezembro, teve alta de 2,84% em dezembro, depois de subir 0,36% em novembro. Por estágios de processamento, o grupo Bens Finais teve a maior alta, de 3,31%, com destaque para o subgrupo alimentos processados, cuja taxa passou de 2,66% em novembro para 6,78% em dezembro.

O grupo bens intermediários variou de 0,49% em novembro para 0,43% em dezembro, com destaque para o subgrupo materiais e componentes para a construção passando de 0,48% para menos 0,07%.

No grupo matérias-primas brutas, o índice passou de menos 0,23% em novembro para 5,03% em dezembro. As maiores altas foram no preço do minério de ferro, que passou de menos 11,21% para 3,38%, bovinos, de 8,02% para 19,57%, e café em grão de 3,60% para 15,57%. As principais quedas foram na cana-de-açúcar de 1,22% para menos 0,63%; laranja, de 8,90% para menos 2,50%, e mandioca, de 9,55% para 6,45%.

Já o IPC subiu 0,84% em dezembro, seguindo a alta de 0,20% registrada em novembro. A principal variação foi no grupo Alimentação, que passou de menos 0,04% para 2,36%, influenciado pela carne bovina, que subiu 3,76% em novembro e disparou para 18,03% em dezembro.

Finalizando os dados do IGP-M, o INCC subiu 0,14% este mês, ante 0,15% registrado em novembro. Materiais e Equipamentos passaram de 0,31% para menos 0,04%, Serviços foram de 0,36% para 0,11% e Mão de Obra, que não tinha variado em novembro, apresentou alta de 0,26%.

(Com Agência Brasil)

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